Cópia selada de Super Mario Bros. vende-se por 3 milhões de dólares
Um cartucho de 1985, ainda selado, tornou-se o jogo mais caro de sempre em leilão. É nostalgia, especulação financeira ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Um cartucho de 1985, ainda selado, tornou-se o jogo mais caro de sempre em leilão. É nostalgia, especulação financeira ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Trinta e nove anos depois de ter chegado à Nintendo Entertainment System, um Super Mario Bros. selado acabou de ser martelado em leilão por 3 milhões de dólares, cerca de 2,75 milhões de euros. Foi no evento Video Games Signature da Heritage Auctions, a 12 de junho, e o lance final disparou um milhão acima do anterior recorde para um videojogo em leilão público. Tudo isto por um cartucho que, ironicamente, ninguém vai jogar.
O lote 28025 levava carimbo de raridade máxima. A cópia foi avaliada pela PSA, casa de certificação bem conhecida dos colecionadores de cartas e selos, com uma nota 9,6 A++, o topo registado para esta variante específica. Este detalhe parece burocracia, mas é aqui que o mercado decide se um pedaço de plástico vale umas centenas ou uns milhões. No fundo, é a mesma lógica dos vinhos de culto ou dos clássicos de garagem, aplicada a um jogo que muitos de nós conhecemos de cor.
O que torna este cartucho especial é o tipo de selagem: em vez de película retrátil, traz o gloss sticker seal da Nintendo, um autocolante brilhante que fecha a caixa. Esse pormenor identifica a segunda leva de produção, do início de 1986, e faz destas as primeiras cópias seladas de Super Mario Bros. conhecidas. Nunca apareceu em coleções públicas um exemplar selado da primeira fornada de 1985. Ou seja, se queres um Mario “origens” ainda fechado, é este o mais perto que o mercado consegue oferecer.
Convém lembrar que o NES só começou a ser distribuído no fim de 1985, com Super Mario Bros. como peça central do alinhamento. Na altura, era hardware de criança e adolescente, pensado para ser aberto no Natal e ligado a uma televisão de tubo, não para ficar décadas num cofre. O facto de estarmos agora a discutir se um selo de fábrica vale milhões diz muito sobre como o colecionismo de videojogos deu o salto de hobby de nicho para ativo financeiro. Há nostalgia genuína, claro, mas também há quem veja nestas peças o novo ouro em cartucho.
Para um jogador em Portugal que cresceu com a NES, a história tem um lado quase absurdo. O mesmo jogo existe em cartuchos usados a circular por poucas dezenas de euros em feiras e sites de usados. A diferença são os milímetros de plástico nunca rasgado e a nota de uma entidade de grading. A partir daí, entra em cena um circuito de luxo distante da realidade de quem hoje compra indies a 15€ no Steam ou faz subscrição de serviços como Game Pass.
Este recorde vai alimentar mais caixas esquecidas em sótãos à procura do jackpot e mais pressão nos preços do retrogaming “normal”. Mas também cristaliza uma era específica: quando os videojogos passaram oficialmente de brinquedo de sala para artefacto de investimento. Quem quiser apenas jogar Mario continua bem servido com relançamentos oficiais e ROMs legais nas consolas modernas. O cartucho de 3 milhões é outra coisa. É um troféu, mais perto de um quadro em leilão do que do cartucho cinzento que entrou numa NES portuguesa nos anos 90.
Fonte: Teche Blog
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