Como usar um Raspberry Pi para calar a smart TV curiosa
Os televisores querem saber tudo o que vês, quando vês e com que dispositivo. Com um Raspberry Pi e LibreELEC, o painel continua bom e a vigilância é que vai à vida.
Os televisores querem saber tudo o que vês, quando vês e com que dispositivo. Com um Raspberry Pi e LibreELEC, o painel continua bom e a vigilância é que vai à vida.
Uma smart TV moderna sabe mais sobre quem está no sofá do que muitos sites onde te registas. Segundo o How-To Geek, entre reconhecimento automático de conteúdo (ACR), métricas de utilização e integrações com publicidade, o televisor passa a ser mais um sensor na rede de casa do que um simples ecrã. E o mais irritante é que ainda pagas por isto em duplicado: primeiro na caixa, depois com anúncios à frente da cara.
A solução descrita na peça não passa por voltar a um LCD de 2009, passa por tornar o televisor burro outra vez. A ideia é simples: ignorar o sistema operativo da TV e tratá-la como aquilo que sempre foi, um monitor grande. Para isso, o jornalista recorreu a um Raspberry Pi 4 com LibreELEC, uma distribuição Linux minimalista feita para arrancar diretamente para o Kodi. Ficas com biblioteca de conteúdos, add-ons e suporte de comandos, mas sem tracking nem banners a ocupar meio ecrã.
O ponto-chave é físico, não é um passeio pelas definições: desligar o Wi-Fi da TV, tirar o cabo de rede e ligar o Raspberry Pi por HDMI, de preferência com HDMI‑CEC para continuares a usar o comando da televisão. Sem internet, o ACR deixa de conseguir enviar as screenshots que tira periodicamente e os fabricantes perdem o canal para retirar funcionalidades ou abrandar a interface com atualizações “obrigatórias”. A televisão deixa de poder telefonar para casa por muito que queira.
Do lado do pequeno computador, quase qualquer Raspberry Pi recente serve. O How-To Geek fala num Pi 4 de 8 GB, mas para 1080p chega e sobra um modelo com 4 GB. Quem quiser 4K a 60 fps pode olhar para o Pi 5, com suporte de hardware para esse cenário, embora aí entres em detalhes de codecs onde a diferença só pesa mesmo em conteúdos mais exigentes. E se não tiveres um Pi à mão, um mini PC barato ou até um portátil antigo também chegam para correr LibreELEC, desde que o barulho das ventoinhas não estrague as cenas silenciosas.
O arranjo tem limitações óbvias. Serviços de streaming com DRM apertado vão funcionar melhor em hardware certificado, como boxes oficiais ou consolas, do que num pequeno computador com Linux. E não é toda a gente que quer montar um sistema paralelo só para ver televisão. Mas a troca é clara: um pouco mais de trabalho de instalação em troca de menos vigilância sempre que ligas o ecrã. Para quem já andou a desgooglar o Android ou a fechar torneiras de dados no telemóvel, isto é só o mesmo reflexo aplicado ao maior painel da casa.
O detalhe mais interessante desta abordagem é a inversão de prioridades. Em vez de aceitares que o fabricante define a interface, o ritmo das atualizações e a quantidade de tracking, passas a escolher o sistema operativo, as apps e até o hardware. O televisor, que custou centenas de euros, fica reduzido ao que sempre fez melhor: mostrar imagem. E se um dia decidires trocar o Pi por outra coisa, levas contigo o cérebro da operação e deixas na parede apenas um painel de LEDs que não sabe nada sobre ti. É assim que a “casa inteligente” devia funcionar: inteligente do lado do utilizador, não do lado de quem vende anúncios.
Fonte: How-To Geek
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