Chrome vai matar o uBlock Origin clássico já no fim de junho
Com o Chrome 150, a Google desliga de vez as extensões Manifest V2. uBlock Origin e outros bloqueadores dinâmicos deixam de funcionar no navegador mais usado do planeta.
Com o Chrome 150, a Google desliga de vez as extensões Manifest V2. uBlock Origin e outros bloqueadores dinâmicos deixam de funcionar no navegador mais usado do planeta.
Marca no calendário: a partir do Chrome 150, previsto para 30 de junho, o uBlock Origin clássico deixa pura e simplesmente de funcionar em Chrome. Não é bug, não é drama de fórum. É decisão de arquitectura: a Google vai remover a última flag que permitia manter extensões no velho formato Manifest V2.
O tal sinal de vida chama-se ExtensionManifestV2Disabled. Até agora, era o escape usado por utilizadores avançados e administradores de sistemas para continuarem com bloqueadores de conteúdo completos, apesar da migração em curso para Manifest V3. Um commit recente no Chromium, confirmado pelo engenheiro Devlin Cronin, fecha a porta: no Chrome 150 a flag deixa de ter efeito, e no Chrome 151 todas as referências a MV2 desaparecem do código.
Manifest V3 não é só mudança de versão. Mexe no coração da forma como extensões tocam no tráfego da web. A API webRequest, que permitia a extensões como o uBlock Origin inspecionar e alterar pedidos em tempo real, é substituída por declarativeNetRequest, onde as regras têm de ser declaradas de antemão e caber dentro de limites bem apertados. Em termos práticos, mata o bloqueio dinâmico sofisticado que tornava o uBlock uma espécie de parede de betão contra publicidade agressiva, trackers e scripts duvidosos.
O próprio criador do uBlock, Raymond Hill, já disse que uma versão Manifest V3 nunca conseguirá replicar o que a extensão faz hoje. Existe um uBlock Origin Lite, compatível com MV3, mas é isso mesmo: lite. Suporta muito menos listas de filtros e perde o chamado filtragem cosmética, aquela capacidade de limpar restos de anúncios e elementos intrusivos que escapam aos bloqueios tradicionais. Para quem se habituou a navegar em Chrome praticamente sem ruído visual, a diferença vai ser fácil de ver e difícil de engolir.
A Google defende-se com o argumento da segurança e, em parte, tem razão. Dar a uma extensão acesso profundo a todos os pedidos de rede é oferecer também uma ferramenta perfeita para ataques discretos. O caso recente da extensão “Save Image As Type”, sequestrada por um grupo que se fazia chamar Karma, é um belo exemplo do risco: uma extensão legítima, com centenas de milhares de utilizadores, transformada em vector de abuso sem grande alarido. O problema é que a resposta da Google sacrifica capacidade de controlo do utilizador em nome de uma segurança curada pelo próprio fornecedor do browser.
Para quem navega a partir de Portugal, o cenário fica claro: se quiseres continuar com bloqueadores completos como os conheces, a solução passa por mudar de navegador. Firefox, Brave, Vivaldi e derivados de Chromium que mantenham suporte equivalente ao webRequest continuam a permitir extensões com dentes. Chrome e, por arrasto, o novo Edge seguem a linha Manifest V3. A Google diz que está a proteger os utilizadores. Na prática, está a apertar o espaço de quem tenta proteger-se de um modelo de negócio baseado em te seguir por todo o lado.
Fonte: The Next Web
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