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ChatGPT cai abaixo dos 50% e a guerra dos assistentes aquece

O chatbot da OpenAI continua líder, mas já não domina sozinho. O mercado cresce, amadurece e começa a testar a paciência dos utilizadores com anúncios e subscrições.

ChatGPT cai abaixo dos 50% e a guerra dos assistentes aquece

Três anos e meio depois do lançamento, o ChatGPT já não é sinónimo de assistente de IA. Continua no topo, mas a quota mundial caiu para 46,4% em maio, segundo o novo State of AI Report da Sensor Tower. Pela primeira vez, menos de metade do tempo e dos cliques em assistentes caem no colo da OpenAI. Não é um colapso, é pior para qualquer gigante de software: normalização.

Os números continuam enormes. Mais de 1,1 mil milhões de utilizadores mensais, depois de se tornar a app que mais depressa chegou ao patamar de 1 mil milhão de utilizadores ativos. A seguir vem o Gemini, com 662 milhões, e o Claude, com 245 milhões. Juntos, os três somam 89% do tempo passado em apps de assistente, um oligopólio pouco discreto. Mas a curva é clara: o Gemini sobe à boleia da integração profunda com as ferramentas Google, e o Claude cresce com fama de ferramenta “para trabalhar” e retenção a aproximar-se da do ChatGPT, como já se tinha notado quando a Anthropic começou a endurecer a estratégia.

Há também sinais de fadiga com a OpenAI. O acordo com o Departamento de Defesa dos EUA (DoD, Department of Defense) em fevereiro gerou um pico de 295% em desinstalações, um recado pouco subtil sobre confiança e alinhamento de valores. Se até aqui se falava muito em “features”, a Sensor Tower mostra o óbvio: a percepção de marca começa a pesar tanto como a qualidade do modelo. Num contexto europeu, com a regulação da IA a apertar e memórias frescas do GDPR, isto importa. Empresas e escolas na UE vão olhar duas vezes para contratos que soem demasiado a defesa americana.

No agregado, o mercado está longe de abrandar em valor. Na primeira metade de 2026, os utilizadores vão fazer cerca de 2,3 mil milhões de downloads de apps de IA e gastar mais de 4,2 mil milhões de dólares, cerca de 3,9 mil milhões de euros. Em H1 2025 eram 1,83 mil milhões de dólares, um salto forte que confirma a viragem para a monetização. Ao mesmo tempo, as taxas de crescimento de downloads e de despesa estão a desacelerar. Traduzindo: o brinquedo novo virou infraestrutra do dia-a-dia, e agora começa a discussão séria sobre quanto vale a pena pagar por ela.

Regionalmente, a Ásia dá o primeiro sinal amarelo, com uma quebra de 3,3% em downloads no primeiro trimestre, muito por causa de China e Índia. Continua líder em instalações, mas fica atrás da América do Norte e da Europa na despesa em compras dentro das apps. Para empresas à procura de utilizadores que pagam, a UE continua mais interessante do que o volume asiático. E dentro deste bolo, quem está a converter melhor é o Claude: 13% dos utilizadores pagam subscrição, a melhor taxa do sector, um dado que investidores vão ler com atenção quando compararem com a estratégia mais empresarial da OpenAI, descrita no nosso artigo sobre a mudança do ChatGPT para foco em empresas.

Horas gastas não faltam. A Sensor Tower estima que o tempo passado em apps de IA dispare de 17,2 mil milhões de horas em H1 2025 para cerca de 36 mil milhões em H1 2026. O grosso é feito nos três assistentes principais. Já categorias adjacentes, como companheiros de IA ou apps de geração de conteúdo, continuam fragmentadas e altamente concorrenciais. Em linguagem de investidor, alto risco, alta possibilidade de lucro. Para o utilizador comum, significa ruído, clones e pouco filtro.

Entretanto, a OpenAI vai afinando a máquina de fazer dinheiro. Desde fevereiro que testa anúncios no ChatGPT. Em maio, 17% dos utilizadores diários já viam publicidade. Software e compras lideram as categorias de anunciantes, seguidos de media, entretenimento e comida. É uma mudança de fase: a página em branco começa a parecer um feed social com lojas acopladas. O tráfego de recomendações sai a favorecer retalhistas como Walmart e Target, enquanto a Amazon, que bloqueou o rastreio do ChatGPT, vê estagnar as visitas vindas dali. A ironia é óbvia: toda a gente quer pôr IA em cima das suas lojas, mas quem controlar o assistente que responde antes do clique vai controlar as compras. A queda da quota do ChatGPT não resolve este problema, só o distribui por mais umas mãos.

Fonte: TechCrunch

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