Carregamento com ou sem fios: o que mata mais a bateria
Carregar por cabo é mais eficiente e gera menos calor, mas a conveniência dos carregadores sem fios é difícil de largar. O truque está em como e quando usas cada um.
Carregar por cabo é mais eficiente e gera menos calor, mas a conveniência dos carregadores sem fios é difícil de largar. O truque está em como e quando usas cada um.
Carregar o telemóvel por cabo ou num disco sem fios não é a mesma coisa, sobretudo para a bateria. De acordo com o Engadget, os sistemas de carregamento sem fios compatíveis com Qi2 (padrão do Wireless Power Consortium) podem ser até 30 por cento menos eficientes do que um bom cabo. Essa energia perdida não desaparece, transforma-se em calor. E calor é exatamente o que as baterias de lítio menos gostam.
No carregamento com cabo, a energia sai do adaptador e entra diretamente no telefone. No sem fios, passa primeiro por uma bobina no carregador, salta por indução eletromagnética para outra bobina dentro do telemóvel e só depois é convertida para carregar a bateria. Cada etapa extra é uma oportunidade para desperdiçar energia em forma de aquecimento, tanto do pad como do próprio telefone. Segundo as contas citadas pelo Engadget, esse stress térmico pode reduzir a capacidade da bateria em até 12 por cento em dois anos, e mais ainda em ambientes quentes.
Daí a insistência em usares carregadores certificados Qi de fabricantes decentes, como a Belkin, em vez de bases anónimas de três euros. Os sistemas Qi a sério comunicam com o telemóvel para ajustar corrente e tensão em tempo real e travar antes de chegarem a temperaturas perigosas. Ainda assim, a física não desaparece: o mesmo iPhone que chega a 50 por cento em 15 minutos com um adaptador de 60 W e cabo USB-C, precisa de cerca de 30 minutos para o mesmo patamar numa base Qi2 equivalente. Menos eficiência, mais tempo ligado, mais calor acumulado.
O outro lado da história é a própria bateria. As de iões de lítio aguentam em teoria entre 1.000 e 2.000 ciclos completos de carga. O que mata mais depressa não é só o número de ciclos, é andares no limite: sempre muito perto dos 0 por cento ou preso nos 100 por cento ao calor. A maioria dos fabricantes já tenta ajudar. No iPhone 15 e mais recentes, há ferramentas em Definições > Bateria que limitam a carga útil para proteger a saúde da bateria. Nos Samsung encontras algo equivalente em Definições > Bateria > Proteção da bateria. O ideal é manteres-te grosso modo entre os 20 e os 80 por cento.
Se insistes em carregamento sem fios, podes jogar a teu favor. Garante que o telefone fica bem centrado na base, porque uma má posição enfraquece o acoplamento magnético, aumenta perdas e aquece mais. Evita capas grossas ou com metal, a menos que sejam explicitamente compatíveis com carregamento sem fios. E, se notas o telemóvel a ficar demasiado quente, tira-o da base e deixa arrefecer. Nada disto é dramático, mas ignorar o problema anos a fio é receita para uma bateria cansada muito antes do tempo.
No balanço, para velocidade e saúde da bateria, o cabo continua a ser rei. O carregamento sem fios não é “mau”, é apenas menos eficiente e, usado de forma descuidada, acelera a degradação. A solução sensata é pragmática: usar o sem fios para pequenos toques de carga durante o dia, quando a conveniência conta, e reservar o cabo para carregamentos mais longos, de preferência noturnos. Quem tratar a bateria como um componente caro, e não como magia infinita, vai trocar de telemóvel por aborrecimento, não por exaustão química.
Fonte: Engadget
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