CIêNCIA

BMW iX5 estreia versão 100% elétrica com 700 km de autonomia

SUV gigante, bateria de 140 kWh e 570 cv. A BMW empurra o X5 para o lado elétrico, mas também para a lista dos pesos pesados perigosos na estrada.

BMW iX5 estreia versão 100% elétrica com 700 km de autonomia

A BMW pegou no seu SUV mais emblemático e fez o que andava a adiar há anos: o X5 passa a ter uma versão totalmente elétrica. Chama-se iX5 60 xDrive, traz uma bateria absurda de 140 kWh e promete cerca de 435 milhas de autonomia no ciclo EPA, algo como ~700 km em conversão direta. É um número chamativo, mas não vem sem custo em peso, complexidade e, provavelmente, preço na Europa.

Ao contrário do que a marca fez com o X3 e o iX3, aqui não há plataforma separada para elétrico e combustão. O novo X5 usa uma base comum e o design Neue Klasse para acomodar tudo: gasolina, diesel, híbrido plug-in, hidrogénio e esta versão elétrica. A BMW jura que o chassis aguenta tudo sem compromissos, mas um carro pensado para agradar a todos raramente é o melhor em algo específico. Parece mais uma estratégia de contenção de custos do grupo do que um passo convicto rumo aos elétricos.

O lado técnico é musculado. O iX5 60 xDrive traz a sexta geração da tecnologia eDrive, arquitetura de 800 V e carregamento bidirecional até 450 kW. Sem tempos oficiais de carregamento, algum cálculo de guardanapo aponta para 10 a 80 por cento em cerca de 20 minutos num posto que realmente consiga debitar 450 kW. Em Portugal, onde a maioria das estações públicas ainda anda bem abaixo disso, o argumento é mais futuro-teórico do que realidade imediata. Aqui a discussão sobre infraestrutura é tão importante como a ficha técnica, algo que se nota em toda a indústria, da BMW à GM e à forma como esta reorganiza fábricas de elétricos com mais robots e menos pessoas.

Nos números brutos, o iX5 é um monstro. Dois motores elétricos, 325 cv atrás e 245 cv à frente, somam 570 cv e levam o SUV dos 0 aos 100 km/h em cerca de 4,7 segundos. O problema é o que vem agarrado a isto: 3,18 toneladas de peso. É o BMW de produção regular mais pesado de sempre e, como a própria imprensa dos EUA já sublinhou, um perigo real para peões e para qualquer carro mais pequeno no outro lado de uma colisão. A marca tenta compensar com suspensão pneumática, barras anti-rolo ativas e direção às quatro rodas, mas a física não lê press-releases.

Visualmente, o iX5 entra na nova fase estética da BMW com faróis em X mais agressivos e uma frente com a grelha “Iconic Glow” iluminada verticalmente. Desaparecem os puxadores tradicionais, trocados por pequenas aletas com botão, e some também a clássica tampa da bagageira bipartida, assim como o comando físico iDrive. Traduzindo: mais design e ecrãs, menos comandos tangíveis. No interior, domina um ecrã central de 17,9 polegadas e um segundo ecrã opcional de 14,6 polegadas para o passageiro, mais um novo volante de raios verticais que vai dividir opiniões em estrada e em concessionário.

O sistema de infoentretenimento corre o BMW Operating System X, baseado em Android Open-Source Project, com apps, vídeo, jogos e suporte nativo para Apple CarPlay e Android Auto, felizmente sem a tentação de os eliminar. O áudio começa num sistema de 280 W com 12 colunas e escala para um Bowers & Wilkins com Dolby Atmos até 775 W. Nos EUA, o iX5 60 xDrive arranca nos $79.800, com o híbrido plug-in X5 50e ligeiramente abaixo e a versão a combustão ainda mais barata. Sem preço ou data anunciados para a Europa, a única certeza é que este SUV elétrico de 3 toneladas chega a um mercado onde a discussão já não é só autonomia, é também se faz sentido encher cidades europeias com tanques elétricos enquanto se fala de segurança rodoviária e emissões.

Fonte: Engadget

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