Beats 360 querem ser os teus auscultadores de ginásio premium
Os novos over-ear da Beats apostam em almofadas e arco intercambiáveis, resistência à água e encaixe firme. São caros e pouco confortáveis para o dia a dia, mas fazem sentido para treino.
Os novos over-ear da Beats apostam em almofadas e arco intercambiáveis, resistência à água e encaixe firme. São caros e pouco confortáveis para o dia a dia, mas fazem sentido para treino.
Os Beats 360 não tentam ganhar à Sony ou à Bose em tudo. Tentam ganhar-te no ginásio. A leitura que o Wired faz dos novos over-ear da marca da Apple é clara: como auscultadores de uso diário, há melhor no mercado, mas como companheiros de treino, acertam em cheio no alvo.
O desenho é mais discreto do que o histórico da Beats, com um perfil fino, acabamento “soft-touch” e arco metálico telescópico ao estilo AirPods Max ou Sonos Ace. O truque está nas peças que se soltam. Tanto o arco almofadado como as almofadas das orelhas saem sem esforço, com um puxão para baixo ou um pequeno rodar. Na caixa vem um conjunto a condizer com a cor, mas a própria Beats empurra a ideia de colecionar e misturar cores. É identidade visual e, mais importante, é uma forma simples de limpar e substituir as peças que mais sofrem com suor e uso.
Segundo o Wired, há dois tipos de almofadas: Performance Knit, em tecido tipo malha mais respirável, e UltraPlush, em material sintético macio ao estilo dos over-ear premium da Bose, Sony ou Sonos. Para treinar, o tecido ganha, porque deixa o calor e o suor escapar melhor. Para trabalhar ao computador ou ouvir música no sofá, as UltraPlush são mais confortáveis ao longo de horas. Esta versatilidade é rara num segmento em que quase todos os modelos chegam com uma só opção de almofadas, e quase nenhuma é pensada para exercício intenso.
Em especificações, os Beats 360 jogam na liga dos “grandes”: Bluetooth 5.3, codecs SBC e AAC, certificação IPX4 contra salpicos de água e suor e até 32 horas de autonomia com cancelamento de ruído ativo ligado. Pesam 295 gramas, o que não é ultraleve, mas fica abaixo de pesos-pesados como os AirPods Max. A ideia é simples: apertam bem a cabeça, não andam a dançar quando corres ou fazes burpees, e aguentam chuva ligeira ou aquele treino em que sais encharcado. O lado menos simpático é que essa força no arco torna o uso prolongado no dia a dia menos confortável, sobretudo se passas o dia com auscultadores na cabeça.
É aqui que a comparação com outros modelos joga contra a Beats. Nas contas do Wired, o som dos 360 peca na gama média, aquela zona crítica das vozes e de muitos instrumentos, que fica apagada quando comparada com rivais como Sony WH-1000XM6 ou Bose QuietComfort Ultra. Não há entrada jack para cabo, o que em 2026 já não choca mas continua a ser uma limitação em viagens de avião ou setups mais audiófilos. Por este prisma, e olhando para o preço de referência de 349 dólares, estamos a falar de algo a rondar os ~320€, zona em que há opções com palco sonoro mais equilibrado e melhor conforto geral.
Onde os Beats 360 recuperam terreno é na utilização real de quem vive entre ginásio e rua. Há muita gente a correr com AirPods Max, um dos over-ear mais pesados do mercado, o que mostra que a procura existe. A Apple está a posicionar a Beats como a sua marca mais aberta ao Android, como se viu no foco nas funcionalidades multiplataforma no anúncio dos 360, reforçando o ângulo de “auscultadores de treino que também falam bem com o teu telemóvel não-Apple”. E se a ideia te soa familiar é porque já se tinha percebido essa estratégia quando analisámos como os Beats 360 são os auscultadores da Apple mais amigos do Android. O novo modelo confirma a jogada: menos fetiche hi-fi, mais produto desenhado para suar.
No fim, os Beats 360 são uma proposta muito específica. Se queres o melhor som possível por 300 e tal euros, há alternativas mais equilibradas. Se precisas de auscultadores que aguentem treinos a sério, com encaixe firme, almofadas fáceis de lavar e substituir e algum estilo à mistura, estes Beats fazem mais sentido. A Apple está a vender um par de over-ear que não tenta ser o canivete suíço do áudio, tenta ser o halter certo na prateleira certa. Quem entra a pensar nisso tem menos probabilidades de sair desapontado.
Fonte: Wired
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