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Ask Maps já encomenda comida e lê o teu Gmail por ti

A Google está a transformar o Maps num assistente pessoal com IA que encomenda comida, escolhe hotéis e lê planos no Gmail. Conveniente, mas com um custo claro em dados.

Ask Maps já encomenda comida e lê o teu Gmail por ti

O Google Maps está a deixar de ser “só” um mapa e a aproximar-se perigosamente de assistente pessoal total. A Google acaba de dar novos poderes ao Ask Maps, a camada de IA do Maps, que agora consegue encomendar comida, sugerir hotéis e eventos e até cruzar respostas com informação pessoal vinda de outras apps da Google.

No topo da lista está a função de encomenda de comida. Em vez de entrares em meia dúzia de apps diferentes, podes dizer ao Maps algo como “pede-me um caril de gambas picante para levantar a caminho de casa” e o Ask Maps trata do resto: lê o contexto da tua rota, horários dos restaurantes, preferências guardadas e mete logo o prato no carrinho para tu confirmares e pagares. A integração arranca com parceiros como Square e Toast, com suporte para Uber Eats prometido em breve. É o sonho da conveniência, e também o cenário perfeito para a Google perceber, com uma precisão desconfortável, o que comes, onde e quando.

O mesmo cérebro de IA está a ser aplicado a viagens. O Ask Maps passa a aceitar pedidos mais vagos, do tipo “hotéis com vibe minimalista a menos de 15 minutos a pé de ginásios e restaurantes vegetarianos”, e devolve opções filtradas por estética, distância e serviços perto. Também te deixa sugerir correcções ao mapa em linguagem natural: podes, por exemplo, enviar uma fotografia de uma montra com novos horários e o sistema extrai o texto, propõe a alteração e pede-te confirmação. A Google ganha dados frescos para o Maps, tu fazes trabalho de curadoria gratuito. Para quem segue o apetite da IA pela restauração, isto encaixa bem no rumo que já vimos com o foco em fast-food e automação de pedidos.

A peça mais sensível chama-se Personal Intelligence, uma função alimentada pelo Gemini que liga o Ask Maps aos teus dados noutros serviços da Google. Primeiro alvo: Gmail. Se activares a opção, o Maps passa a incorporar automaticamente coisas como voos, reservas de jantar ou marcações em respostas às tuas perguntas. A Google diz que vem aí integração com o Calendar e mais apps. Oficialmente, está tudo desligado por omissão, mas a pressão para aceitares “sugestões mais úteis” é previsível. Em troca de uns cliques poupados, dás à empresa um mapa ainda mais detalhado da tua vida.

Há também novidades mais neutras: o Ask Maps passa a mostrar informação de transportes públicos em tempo real, com atrasos de autocarros, comboios, metro ou ferries, e ganhou um widget próprio para isso. Esta parte chega a todos os países onde o Ask Maps já existe, que agora incluem Austrália, Brasil, Canadá, Indonésia, Japão e México. A Europa, Portugal incluído, continua de fora desta vaga inicial. Oficialmente, fica a promessa vaga de que chegará a “mais países ao longo do tempo”.

A Google está a empurrar o Maps para centro nervoso de tudo o que mexe fora de casa: comer, reservar, deslocar, pagar. Faz sentido no modelo de negócio da empresa, que vive de saber mais do que devia sobre cada deslocação. O risco é óbvio. Quando o mapa passa a conhecer o teu estômago, o teu calendário e o teu email, a linha entre serviço útil e vigilância bem embrulhada fica perigosamente fina.

Fonte: The Verge

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