App Manager mostra o que o Android esconde sobre as tuas apps
Ferramenta open source abre os bastidores das aplicações instaladas, das permissões secretas aos serviços escondidos. Não precisa de root, mas exige algum traquejo técnico.
Ferramenta open source abre os bastidores das aplicações instaladas, das permissões secretas aos serviços escondidos. Não precisa de root, mas exige algum traquejo técnico.
O Android dá-te uma lista de permissões bonitinha, alguns botões para negar acessos e pouco mais. Se queres perceber realmente o que uma app anda a fazer no teu telemóvel, ficas a meio caminho. Segundo o How-To Geek, há uma aplicação open source que trata desse trabalho: chama-se App Manager e funciona como uma espécie de raio X avançado para tudo o que tens instalado.
O App Manager, disponível via F-Droid, puxa para a frente informação que o Android esconde em menus fundos ou simplesmente não mostra. Lista todas as actividades, serviços, receivers e providers declarados no manifesto de cada app, expõe permissões usadas e não usadas, vê o histórico de versões, certificados de assinatura e até detalhes de exportação de componentes. Onde o ecrã de definições do sistema te dá duas linhas de texto, aqui tens páginas de detalhes, com filtros e pesquisa, num interface pensado para quem gosta de ver tudo.
De acordo com o How-To Geek, uma das partes mais úteis é a secção de permissões. Não só vês o óbvio, como localização ou microfone, como também permissões menos faladas, marcadas como perigosas, normais ou especiais. E consegues perceber quais estão efectivamente a ser usadas. Isto torna fácil identificar apps demasiado curiosas em comparação com o que supostamente fazem, algo que encaixa bem com preocupações que já tínhamos explorado quando olhámos para como o Android lida com a tua localização. Aqui, em vez de confiar na promessa, vês a ficha completa.
A ferramenta também ajuda a proteger a privacidade e a limpar o lixo. O App Manager permite desinstalar ou desactivar apps, limpar dados, congelar aplicações e ver exactamente que componentes estão abertos ao resto do sistema. Quem escreve no How-To Geek sublinha que isto é especialmente interessante para lidar com bloatware pré-instalado pelo fabricante, mesmo quando o Android de origem não te dá um botão de remoção simples. Em conjunto com firewalls de terceiros e truques como espaços privados, este tipo de visão microscópica das apps torna menos aceitável fingir que “não se sabe” o que anda a ser executado em segundo plano.
Nem tudo, porém, é apontar e carregar. O App Manager não exige root para funcionar, mas muitas funções avançadas dependem de permissões concedidas via ADB (Android Debug Bridge) ou de ferramentas como o Shizuku, que basicamente dão à app poderes de administrador sem desbloquear o telemóvel por completo. O jornalista do How-To Geek nota que isto coloca o App Manager num espaço intermédio: não é para quem só quer mudar o fundo do ecrã, é para quem está disposto a mexer em opções de programador, ligar o modo de depuração e perceber o que significa dar acesso a comandos mais profundos.
Na prática, o App Manager é o que o Android devia ser para utilizadores avançados: transparente, verboso e sem medo de mostrar demasiada informação. A maioria das pessoas nunca vai abrir uma lista de activities ou providers, e é exactamente por isso que o Google prefere esconder essa complexidade. Mas para quem quer realmente controlar o que corre no seu telemóvel, ou seguir o rasto a uma app suspeita, uma ferramenta destas vale mais do que qualquer promessa vaga de “segurança melhorada” em mais uma versão do sistema. O incómodo aqui não é a interface confusa, é perceberes até que ponto tinhas estado às cegas.
Fonte: How-To Geek
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