DNSNet é o bloqueador de anúncios Android que devia vir de raiz
Aplicação gratuita e open source usa DNS para cortar anúncios e trackers em Android sem root. Dá controlo granular sobre que apps mostram publicidade, algo raro no ecossistema Google.
Aplicação gratuita e open source usa DNS para cortar anúncios e trackers em Android sem root. Dá controlo granular sobre que apps mostram publicidade, algo raro no ecossistema Google.
Bloquear anúncios a sério em Android continua a ser um pequeno pesadelo. Entre VPNs manhosas cheias de telemetria, apps que pedem permissões a mais e soluções que partem à primeira atualização de sistema, a sensação é de que o utilizador está sempre a remar contra a maré da Google. O Android Police destaca agora o DNSNet, uma app gratuita e open source que faz o que muitas prometem e poucas cumprem: corta anúncios e trackers à escala do sistema, sem root e sem drama.
O DNSNet funciona como um resolver DNS local. Em vez de tentar injetar-se no browser ou depender de listas internas do Android, intercepta pedidos DNS a nível do sistema e bloqueia domínios de publicidade e tracking antes sequer de o telemóvel falar com os servidores de anúncios. A aplicação usa as blocklists Hagezi, um conjunto de listas bastante respeitado na comunidade de privacidade, gerido em repositório próprio no GitHub. Quem quiser ir mais longe pode abrir as definições de filtros e escolher que listas usar, ou até inspecionar a origem das mesmas diretamente no repositório de blocklists.
Segundo o Android Police, o que separa o DNSNet da maior parte dos concorrentes é o controlo fino por app. Em vez de ser tudo ou nada, é possível manter a publicidade em aplicações em que se quer apoiar o modelo gratuito, e cortar sem piedade em jogos ruidosos, apps de streaming cheias de banners ou sites particularmente agressivos. Há uma allowlist para apps e domínios que nunca devem ser bloqueados, e opções de bypass para serviços mais sensíveis, como bancos ou plataformas que não lidam bem com DNS filtrado.
A interface, pelas capturas partilhadas, não tenta parecer um antivírus de feira nem um painel de hacker de cinema. Há um separador inicial com o botão de ativação e opções de arranque automático, um separador de filtros com as listas Hagezi ativas, outro de DNS onde se pode apontar o túnel para serviços como o Cloudflare DoH3, e por fim a gestão de apps. É tudo utilitário, sem mascotes nem gamificação, o que no contexto de ferramentas de privacidade é quase um luxo. A app está disponível fora da Play Store, o que não surpreende dada a política hostil da Google a bloqueadores de anúncios de sistema, mas isso também significa que o utilizador tem de estar minimamente à vontade com instalação por APK ou lojas alternativas como o F-Droid.
Num ecossistema onde a própria Google vive de publicidade, não espanta que soluções amigáveis ao utilizador fiquem sempre a meio caminho. O DNSNet encaixa na mesma lógica de ajustes discretos de sistema que permitem cortar ruído sem remendar tudo com extensões frágeis, como já se viu no truque de mudar o DNS no Android para reduzir anúncios e tracking. A diferença é que aqui esse controlo chega a qualquer app, não só ao browser, e com uma transparência que falta a muitos serviços comerciais “grátis” pagos em dados.
Há um lado incómodo nisto: se todos bloquearem tudo, muitos projectos pequenos que dependem de publicidade vão simplesmente fechar a porta. Mas o modelo atual, com vídeos não ignoráveis e trackers em cascata, é o equivalente digital de pôr um megafone em cima da mesa do café. Ferramentas como o DNSNet não resolvem o problema estrutural, apenas devolvem algum poder a quem usa o telemóvel. Cabe depois a cada um decidir que sites e apps merecem entrar na allowlist e quais é que já passaram há muito do limite do aceitável.
Fonte: Android Police
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