App ‘Calibre’ 9.10 renova servidor de conteúdos e aperta segurança
O gestor de e‑books open source ganha uma nova interface web, afina o editor e corrige uma falha de segurança ligada a templates em Python.
O gestor de e‑books open source ganha uma nova interface web, afina o editor e corrige uma falha de segurança ligada a templates em Python.
Calibre 9.10 já está disponível para Linux, macOS e Windows e chega com algo que muitos ignoram até precisarem: um servidor de conteúdos com cara lavada. Quem usa o Calibre para partilhar a biblioteca pela rede, ou para aceder aos livros pelo browser ou telemóvel, passa a ter uma interface dita “moderna”, com barra lateral para navegação mais rápida e instalação como PWA (Progressive Web App) quando servido por HTTPS.
Este detalhe da PWA não é cosmética, é conveniência pura. Passas a ter o Calibre “fixo” no ecrã inicial do telemóvel ou em modo app no browser, sem andar a escrever IPs manhosos nem a aturar separadores perdidos. Para quem corre o servidor em casa num Raspberry Pi ou num NAS, isto aproxima bastante o Calibre da sensação de usar um serviço tipo Kindle Cloud, mas sem lojas atreladas nem bloqueios regionais.
Por baixo do capot há mais mudanças técnicas que interessam a quem passa tempo no editor de e‑books. O Calibre 9.10 adiciona suporte para selectores CSS Level 4 no parser, o que ajuda a lidar melhor com e‑books modernos e folhas de estilo mais elaboradas. No editor, há agora uma opção para converter imagens PNG para JPEG ou WebP, útil para emagrecer ficheiros antes de os mandar para leitores com armazenamento curto. A grelha de capas também foi afinada para escalar melhor as imagens ao tamanho da janela, menos espaços mortos, mais capas visíveis.
A gestão de anotações também leva atenção: o navegador de anotações pode agora limitar o que mostra com base em estilos personalizados. Se usas cores diferentes para sublinhar citações, notas técnicas ou coisas a reler, fica mais fácil filtrar o ruído. No editor, a filtragem de pesquisas guardadas permite agora corresponder por palavras‑chave, o que simplifica encontrar aquela sequência de limpeza que criaste há meses e já não lembravas o nome exacto.
Na parte das correções, o autor Kovid Goyal afinou o motor heurístico de conversão e resolveu problemas com exportação CSV do campo de comentários, duplicação de e‑books quando há colunas com valores por omissão, manuseamento de certos ficheiros SNB, notas escritas durante destaques no leitor integrado e notificações no Windows. Mais importante, a versão 9.10 corrige uma regressão introduzida no Calibre 9.8 que fazia com que erros dos plugins de IA fossem engolidos em silêncio. Agora, se um fornecedor de IA falha, ficas a saber em vez de achar que o plugin é só lento.
Há também uma correção de segurança explícita: a vulnerabilidade CVE-2026-53511 é mitigada ao impedir o uso de templates Python ao ler metadados dos livros. A tentação de permitir tudo no lado da automação é grande, mas aqui a escolha foi claramente pelo lado da prudência. Para um programa que tanta gente expõe via web e que gere bibliotecas pessoais enormes, é a decisão sensata. A nova versão já está disponível no site oficial, em binários para Linux (64-bit e ARM64), instaladores para macOS e Windows, e também via Flatpak no Flathub ou repositórios das distribuições. Se usas o Calibre como peça central da tua vida de leitura digital, esta é daquelas actualizações que vale a pena tratar já, antes de o próximo e‑book ficar meio torto na conversão.
Fonte: 9to5Linux
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