Quase todos os earbuds baratos soam a compromisso. Pouco grave, médios confusos, agudos agressivos. Segundo o Android Police, há um truque simples dentro do YouTube Music que não faz milagres, mas chega para transformar muita tralha de 30€ em algo francamente mais aceitável.
O segredo está num equalizador que a Google escondeu a fundo na app. É um EQ de nove bandas com presets prontos e um modo totalmente manual. Nada de novo em teoria, mas o que conta é a implementação: funciona tanto para música em streaming como para faixas descarregadas e, bem explorado, corrige boa parte dos defeitos típicos de earbuds baratos.
Quem escreve para o Android Police diz que costuma testar vários auscultadores em paralelo e que, desde que tropeçou neste EQ, passou a levar o YouTube Music mais a sério como plataforma de áudio. A app é muitas vezes vista só como porta de entrada para videoclipes, mas aqui comporta-se como um leitor competente para bibliotecas de alta resolução e streaming.
O equalizador não está à vista. Para o encontrar em Android, é preciso abrir o YouTube Music, tocar no ícone de perfil no canto superior direito, ir a Definições, depois a Reprodução e só aí a Equalizador. O ajuste aplica-se apenas ao YouTube Music, não mexe no som do YouTube normal nem de outras aplicações.
Ao abrir o menu, aparecem vários presets óbvios (Pop, Rock, Jazz e companhia) e uma opção Personalizado. No topo está o EQ de nove bandas. As colunas mais à esquerda correspondem às frequências mais baixas, as do meio controlam médios e as da direita os agudos. Grosso modo, grave à esquerda, brilho à direita.
É aqui que os earbuds de entrada de gama podem ganhar nova vida. Se o som é “metálico” e sem corpo, subir ligeiramente as bandas mais baixas e baixar um pouco os agudos costuma chegar para dar peso sem transformar tudo em lama sonora. Se o problema é o oposto, grave gorduroso que engole vozes, cortar 1 ou 2 pontos nas frequências graves e empurrar suavemente os médios devolve clareza. É a mesma lógica que já se aplica em apps dedicadas ou no software de earbuds mais caros, só que integrada no serviço de streaming.
Vários fabricantes tentam compensar limitações de hardware com perfis agressivos de som de fábrica, por isso não é raro que o primeiro passo seja anular exageros. Em vez de trocar logo de earbuds, vale a pena perder dez minutos a testar curvas em V mais suaves, perfis com médios ligeiramente realçados ou mesmo a começar de tudo plano e ir mexendo banda a banda. Não vais transformar earbuds de supermercado em modelos reparáveis pensados para durar anos, mas consegues aproximar-te do som de algo bem mais caro.
Para quem usa Spotify ou apps próprias de marcas como a Bose ou a Google, a ideia de um EQ integrado não é novidade. O ponto aqui é outro: muita gente continua a tratar o YouTube Music como um serviço de segunda linha, quando, bem afinado, segura perfeitamente o lugar de leitor principal, sobretudo em Android. A existência de um equalizador completo reforça isso.
Do lado negativo, continua a ser uma funcionalidade demasiado escondida, sem qualquer onboarding decente. A maioria das pessoas nunca vai tropeçar neste menu por acaso, o que limita o impacto real da ferramenta. A Google prefere afinar o algoritmo de recomendações em vez de ensinar o utilizador a tirar mais partido do áudio que já tem.
Mas para quem está disposto a mexer nas definições, o balanço é simples: antes de pensar em trocar de earbuds outra vez, vale a pena espremer este equalizador. É mais rápido, mais barato e, em muitos casos, é o suficiente para que aqueles earbuds que vinham a apanhar pó passem a ter lugar fixo no bolso.
Fonte: Android Police
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