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Anbernic passa a vender peças de substituição para as suas consolas

Fabricante de retro-handhelds abre loja oficial de componentes. Menos lixo eletrónico, mais anos de vida para máquinas baratas que já vinham a ser tratadas como descartáveis.

Anbernic passa a vender peças de substituição para as suas consolas

A Anbernic abriu finalmente uma página oficial de loja dedicada a peças de substituição para as suas consolas portáteis. Em vez de encostar um RG com analógico preso ou ecrã rachado, podes agora pedir componentes direto ao fabricante.

O catálogo abrange basicamente tudo o que costuma falhar ou partir: carcaças, ecrãs, borrachas condutoras, joysticks, baterias, motherboards e botões. Vai desde modelos recentes como o RG Rotate até clássicos como o RG350P. Não é caridade ecológica, claro, é negócio. Mas é o tipo de negócio que interessa a quem se preocupa com lixo eletrónico e com o direito a reparar.

Há duas notas menos simpáticas. Primeiro, tens de indicar bem o modelo e a cor ao encomendar. A Anbernic avisa logo que, se te enganares, não há reclamação possível. Segundo, apesar de a loja já estar operacional, a marca não disponibiliza qualquer guia oficial de reparação, vídeos passo a passo ou esquemas. Se queres trocar um ecrã ou abrir a consola, ficas entregue ao YouTube, fóruns e ao costumeiro espírito de comunidade.

Em termos de preços, há de tudo. Uma motherboard de reposição para os modelos mais potentes pode chegar aos $236 (sem preço europeu confirmado, mas será qualquer coisa perto de ~220€ depois de portes e taxas). No outro extremo, uma simples borracha condutora para o d-pad pode ficar por $3, pouco mais de 3€. O recado é claro: componentes finos e baratos, troca-se; peças de alto valor obrigam a fazer contas entre reparar ou comprar uma consola nova, até porque a Anbernic é agressiva nos preços dos próprios handhelds.

Esta jogada aproxima a marca do que a Apple fez com o Self Service Repair, mas em versão low-cost e sem o aparato jurídico. Antes, quem quisesse peças tinha de passar pelo suporte, esperar aprovação e muitas vezes acabava num processo de substituição completa do dispositivo. Agora, é mais honesto: a Anbernic vende-te o hardware e lava as mãos do resto. Quem tem habilidade de bricolage fica melhor servido, quem não tem continua dependente de técnicos locais.

Para quem compra estas máquinas em Portugal via Amazon, AliExpress ou lojas especializadas, isto é relevante por um motivo simples: há finalmente uma fonte oficial de peças. Ainda falta ver como será a logística para a Europa, tempos de envio e alfândega à mistura, mas o sinal é bom. Entre consolas retro baratas e descartáveis e um ecossistema de reparação minimamente saudável, a escolha devia ser óbvia. A Anbernic, pelo menos, começou a mexer-se no sentido certo.

Fonte: Engadget

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