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AlterMe vende fitness com ADN e custa como um portátil topo de gama

O programa junta teste genético, smart ring e app com treinos e nutrição personalizados. Segundo o Wired, ajuda a criar rotinas, mas o preço e as promessas do ADN pedem pé atrás.

AlterMe vende fitness com ADN e custa como um portátil topo de gama
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Treinos e planos de nutrição personalizados com base no teu ADN soam a futurismo de laboratório, mas já estão à venda. A AlterMe é um programa de fitness e bem-estar que junta teste genético, smart ring e app, e que o Wired avaliou com 8/10. A ideia: cruzar dados biométricos em tempo real com um relatório de ADN para sugerir treinos, sono e alimentação à medida.

O pacote é tudo menos barato. O plano AlterMe Essential custa 1.299 dólares, cerca de 1.195€, e o AlterMe Advanced salta para 1.899 dólares, perto de 1.745€. Ambos incluem o anel, acesso à app com treinos, monitorização do sono e análise básica de nutrição, mas o Advanced traz um relatório genético mais profundo e uma subscrição vitalícia em vez de três anos. Por este valor, entra-se no território de vários wearables de topo combinados com um bom ginásio físico, o que levanta logo a questão de custo-benefício.

Do ponto de vista técnico, o sistema gira em torno de dois pilares. Primeiro, um teste de ADN tipo zaragatoa, que tenta inferir predisposições para resistência, força, resposta ao treino, sono ou sensibilidade a determinados nutrientes. Depois, o smart ring, que recolhe dados de frequência cardíaca, variabilidade, sono e atividade diária. A app cruza estes dados para propor treinos curtos, entre 5 e 40 minutos, que vão desde yoga suave e sessões de respiração até força, cardio e dança. Segundo o Wired, a interface é clara e as recomendações diárias, baseadas num “readiness score”, acabam por ser motivadoras, sobretudo para quem gosta de planos mastigados.

O problema é quando se olha para o peso real do ADN nestas recomendações. A investigação científica sobre influência genética no desempenho físico existe, mas é limitada e altamente probabilística. Como lembra um dos estudos citados pelo Wired sobre influência genética na performance desportiva, estamos a falar de pequenas variações em populações, não de oráculos individuais. Mesmo assim, o marketing da AlterMe sugere uma personalização profunda. Na prática, quem testou o sistema notou que as “insights” de ADN são mais curiosidade do que guião de treino, e que o progresso veio sobretudo da consistência, não da genética descodificada.

Há, ainda assim, coisas que fazem sentido para o utilizador comum. Ter num só serviço o registo de sono, treinos guiados, análise básica das refeições e lembretes de recuperação reduz fricção. Quem anda às voltas entre apps de treino, trackers de sono e notas dispersas pode achar confortável este tudo-em-um, da mesma forma que muitos já preferem ter atividade, peso e saúde em wearables como os Fitbit e balanças inteligentes, um movimento de que já falámos na análise à nova vaga de balanças conectadas. A diferença é que, aqui, o bilhete de entrada é quase de luxo.

Fica a sensação de que a AlterMe acerta na integração mas força o argumento genético para justificar o preço. Para quem precisa de estrutura e gosta de gadgets de saúde, é um pacote coeso, ainda que caro. Para quem já tem um wearable decente e alguma disciplina, pagar mais de 1.000€ por um anel com um teste de ADN e treinos de até 40 minutos parece difícil de defender. O marketing do ADN vende bem, mas ainda não substitui o básico: sono decente, regularidade e um plano de treino que consigas manter sem precisar de um sequenciador genético no bolso.

Fonte: Wired

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