Anthropic lança Claude Fable 5 e abre a porta aos modelos Mythos
A Anthropic está finalmente a pôr um modelo Mythos ao alcance do público, mas com travões apertados e uma tabela de preços que aponta para IA de luxo.
A Anthropic está finalmente a pôr um modelo Mythos ao alcance do público, mas com travões apertados e uma tabela de preços que aponta para IA de luxo.
A Anthropic decidiu tirar um pé do travão nos seus modelos mais agressivos. O novo Claude Fable 5 é o primeiro modelo da classe Mythos a ser lançado de forma ampla, depois de a empresa passar meses a dizer que este tipo de sistema era demasiado perigoso para circular em público.
No anúncio oficial, a Anthropic descreve o Fable 5 como o modelo mais poderoso que já disponibilizou, com desempenho particularmente forte em engenharia de software, trabalho de “knowledge worker” e visão. A promessa é simples: quanto mais longo e complexo for o problema, maior a vantagem do Fable face a outros modelos de IA avançada. Traduzindo para o nosso lado: mais código, mais relatórios, mais análise de dados, tudo num único modelo, desde que tenhas orçamento para o alimentar.
O detalhe que muda o jogo interno da Anthropic é este ser, tecnicamente, um modelo Mythos com cinto de segurança. O Fable 5 usa o mesmo modelo de base que o novo Claude Mythos 5, mas com salvaguardas ativas em áreas consideradas de alto risco, sobretudo cibersegurança e biologia. Quando o sistema deteta que está a pisar terreno sensível, recua para o Claude Opus 4.8, o modelo que a empresa vendeu recentemente como mais “honesto” e contido. Segundo a Anthropic, em 95% das sessões de teste o Fable funcionou sem cair nesse modo de segurança.
Para a maioria das empresas e programadores em Portugal, o que conta é quem tem acesso a quê. O Fable 5 fica amplamente disponível, tal como os restantes modelos Claude, via API e plataformas habituais da Anthropic. Já o Claude Mythos 5, com menos filtros em determinadas áreas, continua trancado atrás de um programa de acesso “de confiança”, ligado ao Project Glasswing, a iniciativa privada de cibersegurança da empresa que já teve fugas no passado. Em resumo: o público fica com o Mythos domesticado, os parceiros “de confiança” recebem a versão com menos amarras.
Há ainda a questão do preço, onde a Anthropic assume sem pudor que isto é produto premium. O Fable 5 custa $10 por milhão de tokens de input e $50 por milhão de tokens de output, o dobro das tarifas do Claude Opus 4.8 e ainda assim metade do que a empresa cobra pelo acesso Mythos Preview. Para equipas de IA em empresas portuguesas, isto significa contas mensais que podem disparar depressa se o modelo for usado para geração intensiva de código, documentos longos ou pipelines automáticos.
Fica uma sensação curiosa: a Anthropic está a tentar equilibrar o discurso de responsabilidade com a corrida pelo topo da tabela de benchmarks. Liberta um modelo que classifica como o mais capaz de sempre, mas recusa explicar claramente como se encaixa na restante linha Mythos e até porque salta logo para a versão “5” sem histórico público das anteriores. Para quem usa IA de forma séria na Europa, a mensagem é clara: o acesso ao que há de mais avançado vai existir, mas condicionado por filtros técnicos, contratos e, sobretudo, por quem pode pagar a entrada.
Fonte: The Verge
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