Chrome em Android está mais seguro do que nunca, mas isso não chega para segurar quem está farto de anúncios e de um browser que quase não muda há uma década. Quem escreve para o Android Police conta que acabou por trocar Chrome por Firefox em Android, sobretudo por duas coisas que a Google teima em ignorar: extensões a sério e abas verticais.
A ironia é fácil de apontar. A Google anda a anunciar novas camadas de proteção no Chrome, promete que estás “dez vezes mais protegido” contra phishing, abusos de notificações e afins, mas deixa o browser móvel sem a ferramenta mais eficaz que existe para reduzir risco e frustração: extensões, em particular bloqueadores de anúncios e de scripts abusivos. Em desktop, a própria Google habituou o utilizador a viver com um conjunto de extensões quase indispensáveis. Em Android, corta esse poder pela raiz.
No texto do Android Police, o virar de página começou nem sequer em Firefox, mas num fork chamado Sideraven, um derivado de Firefox que traz um detalhe com muito impacto: abas verticais em ecrã inteiro num telemóvel. Esse layout foge ao modelo clássico herdado do primeiro Safari no iPhone, em que cada aba é um thumbnail horizontal escondido num ecrã secundário. Com abas verticais, a lista de sites abertos fica sempre acessível, o texto é legível, e a gestão de dezenas de separadores deixa de ser castigo. Para ecrãs grandes como os dos Android topo de gama, faz mais sentido do que andar a folhear cartões minúsculos.
Em desktop, a própria Google já mostrou que percebe a vantagem. As abas verticais do Chrome no computador são apontadas pelo jornalista como uma das melhores ideias que o browser teve em anos. O problema é que, em Android, a Google parece contente em repetir a fórmula antiga e deixar espaço para que Firefox, Brave e forks alternativos experimentem onde o Chrome se acomoda. Se a Google quer mesmo que Chrome em Android continue a ser o default por inércia, mais tarde ou mais cedo vai ter de mexer na interface em vez de viver só de promessas de segurança, por mais úteis que sejam.
O outro ponto em que Firefox se cola à frente é mais político do que técnico: extensões. Quem escreve para o Android Police insiste que a ausência de extensões em Chrome para Android, em 2026, já roça o absurdo. Em desktop, há um núcleo de add-ons que se tornam rapidamente parte do quotidiano. Em Android, desaparecem. Sim, há serviços como Grammarly ou gestores de palavras-passe que compensam com apps dedicadas, mas um bloqueador de anúncios, um controlo mais agressivo de tracking ou ferramentas de qualidade de vida para a web não se substituem com um ícone extra no ecrã inicial.
O resultado é previsível. Em Chrome para Android, anúncios em todo o lado. E, ao contrário do que acontece no computador, não há uBlock nem similares para limpar o ruído. Para a Google, que vive de publicidade, isto é conveniente. Para quem navega, menos. É difícil não ver aqui menos uma limitação técnica e mais uma escolha deliberada. Enquanto isso, Firefox permite instalar uma lista longa de extensões em Android, incluindo bloqueadores de anúncios, ferramentas de privacidade e pequenos utilitários que tornam a web menos irritante.
Não é que a Google não esteja a mexer no Chrome móvel. Nas últimas semanas, foram anunciadas novas defesas contra golpes como o ClickFix e avisos mais visíveis antes de entrares em sites suspeitos, medidas que detalhámos quando explicámos como ativar a proteção extra no Chrome e quando falámos dos novos alertas de sites perigosos. A conta, porém, não bate certo: o esforço em fechar a porta aos ataques não é acompanhado por um esforço equivalente em melhorar a qualidade de navegação no dia a dia.
O quadro que fica é desconfortável para o Chrome em Android. Em segurança, está cada vez mais robusto. Em conforto e controlo do utilizador, vai ficando para trás, preso a um layout de abas cansado e a uma recusa teimosa em abrir a porta às extensões. Enquanto isso, Firefox e forks como Sideraven vão ocupando o espaço deixado vago, com mais risco e menos marketing, mas também com mais respeito pela forma como as pessoas realmente usam a web em 2026.
Fonte: Android Police
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