SMARTPHONES

Brax Wink é o telemóvel modular que leva a privacidade ao extremo

Um interruptor físico que corta antenas, sensores e apps de uma vez, um teclado removível à BlackBerry e só uma câmara traseira. O Wink quer ser o telemóvel para quem prefere desligar tudo em vez de confiar em promessas de software.

Brax Wink é o telemóvel modular que leva a privacidade ao extremo
Ilustração digital | Pixel Magazine

Num ano em que quase todos os telemóveis apostam em IA no ecrã de bloqueio e microfones sempre à escuta, a Brax está a ir na direção oposta. O novo Wink é um telemóvel modular com um interruptor físico de privacidade que desliga antenas, sensores e serviços de uma só vez.

Segundo o New Atlas, o Wink corre Android, mas tenta pôr uma barreira de hardware entre o utilizador e o resto do mundo. O tal interruptor não é um simples modo avião. A Brax permite configurar ao detalhe o que fica ligado ou desligado quando o ativas, desde o 4G/5G e Wi‑Fi até sensores, Bluetooth, GPS e certas apps de comunicação.

A ideia é simples e radical. Em vez de andares a caçar definições espalhadas pelo sistema sempre que queres ficar realmente offline, passas o dedo num botão e sabes que aquele perfil está ativo. Para quem anda farto de permissões opacas e apps que reaparecem como serviço de fundo, isto soa bastante mais honesto do que mais uma campanha de marketing sobre “controlo de dados”.

O Wink não vive só do interruptor. O corpo é modular e pensado para ser desmontado. A parte frontal pode receber um teclado físico completo ao estilo BlackBerry ou um módulo mais simples, e a Brax promete que até a bateria pode ocupar o lugar do teclado se preferires mais autonomia em vez de teclas. Tal como outros projetos modulares recentes, como o tablet Open_Slate da mesma empresa, a ambição é prolongar a vida útil do hardware e facilitar reparações.

Nas especificações, o Wink joga claramente a meio da tabela. O processador é um chip Android de gama média, a RAM e o armazenamento não impressionam face a um topo de gama de 2026, e a câmara limita-se a um único sensor traseiro de 50 megapíxeis. Nada de ultrawide, nada de teleobjetiva, nada de selfie escondida: quem vive de redes sociais e videochamadas vai achar isto curto.

Em contrapartida, quem valoriza privacidade acima da versatilidade fotográfica pode ver aqui um compromisso aceitável. O foco não é ganhar benchmarks, é dar controlo tangível sobre o que o telemóvel emite e regista. Nisso, o Wink alinha com uma vaga de gadgets que tentam ser o anti‑modelo dominante, como os óculos centrados em privacidade que já vimos em projetos recentes ou browsers focados em minimizar tracking em vez de vender perfis de utilizador.

Há, no entanto, limites claros. O sistema operativo continua a ser Android, com tudo o que isso implica em nível de updates, dependência da Google e confiança em fabricantes de apps. Um interruptor de hardware ajuda, mas não resolve sozinho problemas como recolha de dados quando o modo normal está ligado ou vulnerabilidades de software que chegam via Internet. A privacidade aqui é mais física que jurídica.

A Brax posiciona o Wink para nichos bem definidos: jornalistas, ativistas, profissionais que lidam com dados sensíveis ou simplesmente quem quer um segundo aparelho que possa ficar realmente mudo num bolso ou gaveta. Para o utilizador médio que passa o dia entre Instagram, TikTok e Google Maps, o pacote parece mais um exercício de consciência do que um daily driver.

Por enquanto, o Wink ainda não tem data de lançamento ou preço confirmados para a Europa. O histórico dos projetos modulares mostra que o entusiasmo inicial costuma ser maior do que as vendas, mas também que há um pequeno público disposto a pagar por alternativas menos complacentes com a vigilância permanente. Mesmo que nunca se torne um sucesso de massas, um telemóvel que trata a privacidade como um botão físico e não como um submenu escondido é um bom lembrete de que o padrão atual não é inevitável.

Fonte: New Atlas

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