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Apps do Galaxy Watch ganham nova vida nos Pixel Watch

A comunidade open source pegou em apps e mostradores dos Galaxy Watch e levou-os para o Pixel Watch. Há um truque: tudo passa por sideloading e algum à-vontade com ADB.

Apps do Galaxy Watch ganham nova vida nos Pixel Watch
Ilustração digital | Pixel Magazine

Os Galaxy Watch continuam a ser a referência em Wear OS quando se fala em software, mas quem tem um Pixel Watch começa a apanhar migalhas interessantes. Desenvolvedores da comunidade estão a portar apps e mostradores do relógio da Samsung para outros relógios Wear OS, incluindo os Pixel Watch, com resultados que vão de “fixe ter” a “como é que a Google ainda não fez isto”.

De acordo com o How-To Geek, estes ports são todos não-oficiais, feitos por terceiros e muitas vezes alojados em fóruns como o XDA. Não passam pela Play Store, não têm bênção da Samsung nem da Google e não há qualquer garantia de que continuem a funcionar depois da próxima atualização de sistema. Quem se aventurar entra automaticamente na categoria power user: se algo partir, a assistência técnica vai encolher os ombros.

Um dos exemplos mais óbvios é a app de bússola da Samsung. Os Galaxy Watch recentes, como o Galaxy Watch 6, trazem uma aplicação de bússola simples que usa os sensores do relógio para mostrar a direção em que estás virado, embrulhada no design típico do software da marca. A comunidade pegou nessa app e portou-a para outros relógios Wear OS. Num Pixel Watch, que já tem bússola nativa, o interesse está menos na função e mais no interface: quem veio de um Galaxy Watch pode manter a linguagem visual a que está habituado sem trocar de hardware.

Outro port apontado como especialmente útil é a Galeria. A Google continua sem incluir uma app de galeria ou sequer um explorador de ficheiros no Pixel Watch, ao contrário da Samsung, que oferece uma forma nativa de ver fotos no pulso. Para quem usa mostradores com imagens personalizadas ou simplesmente gosta de ter algumas fotos acessíveis no relógio, isto é um buraco bem visível no software da Google, algo que já tínhamos sentido quando olhámos para o Pixel Watch e o contraste entre hardware e serviços.

Os ports da Galeria dão a volta a essa ausência, mas com um preço em permissões. Muitas versões recomendam correr um comando ADB no computador para dar à app acesso amplo ao armazenamento partilhado do relógio. Sem isso, a Galeria simplesmente não vê as fotos. Tecnicamente, faz sentido: uma app de galeria tem mesmo de conseguir ler os ficheiros todos. Mas é um lembrete de que, para chegar ao nível de integração que a Samsung oferece de origem, no Pixel Watch ainda se anda a remendar com comandos de terminal.

Há ainda mostradores de relógio a fazer a viagem da Samsung para os Pixel Watch, replicando estilos que até agora eram exclusivos dos Galaxy Watch. Para quem troca de marca e estranha o visual dos mostradores da Google, isto ajuda na transição. Na prática, transforma o Pixel Watch num híbrido estranho: hardware da Google, software a puxar ao lado Samsung, e uma série de APKs a ocupar o lugar onde deviam estar soluções oficiais.

Instalar tudo isto implica sempre sideloading, o processo clássico de meter APKs que não vêm da Play Store num dispositivo Android. No caso dos relógios, a receita é mais chata: ativar as opções de programador no Wear OS, ligar o relógio ao computador por ADB, empurrar os ficheiros e correr comandos à mão. Nada de novo para quem já fez root a um telemóvel, mas completamente fora do alcance do utilizador típico que só quer um relógio que funcione. É aqui que se nota a diferença entre o polimento do software da Samsung e a postura mais minimal da Google que vimos também nos novos gestos do Pixel Watch: a Google prefere gestos e integrações pontuais em vez de encher o relógio de apps, e deixa o resto à comunidade.

Para alguns, isto é o melhor dos dois mundos: dá para misturar boas ideias do Galaxy Watch com o relógio da Google, desde que se aceite viver com ports sem garantia e algum risco de quebra a cada atualização de Wear OS. Para outros, é só mais uma prova de que a Google continua a tratar o Pixel Watch como um laboratório público, enquanto quem quer um relógio redondo em software continua mais bem servido a comprar logo o original da Samsung em vez de passar fins de semana a fazer sideload de APKs.

Fonte: How-To Geek

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