Windows 11 ainda traz ativa uma tecnologia de rede dos anos 90
Quatro anos depois de prometer reduzir o uso de NetBIOS e LLMNR, a Microsoft continua a enviá-los ligados por defeito. Bom para compatibilidade, menos bom para segurança.
Quatro anos depois de prometer reduzir o uso de NetBIOS e LLMNR, a Microsoft continua a enviá-los ligados por defeito. Bom para compatibilidade, menos bom para segurança.
Em 2022 a Microsoft anunciou que queria encostar dois protocolos antigos de resolução de nomes na rede, NetBIOS e LLMNR (Link-Local Multicast Name Resolution). Em 2026 continuam ativos em instalações frescas de Windows 11. A transição para mDNS ficou a meio caminho e o resultado é um Windows que ainda fala “dialecto” dos anos 90 na rede local.
O alerta vem de um artigo do MakeUseOf em que um especialista em IT montou uma máquina virtual com Windows 11 Pro 25H2 praticamente intacto, espreitou o tráfego com a ferramenta de análise de pacotes Wireshark e confirmou o que muitos administradores já suspeitavam: NetBIOS sobre TCP/IP continua ativado e o LLMNR também. Ou seja, mesmo sem mexer em nada, o sistema ainda recorre a estes mecanismos quando tenta descobrir o endereço IP de um nome na rede local.
Convém recapitular o que está em causa. Quando escreves o nome de outro computador ou de um partilhamento na barra de endereço do Explorador, o Windows precisa de traduzir esse nome num endereço IP. O DNS clássico trata disso quando há um servidor configurado com todos os registos. Só que numa rede doméstica típica nem todos os equipamentos aparecem no DNS. Aí entram os truques herdados: o LLMNR envia um pedido multicast à rede local a perguntar quem é o dono daquele nome, e o serviço de nomes NetBIOS (NBNS) faz essencialmente o mesmo via broadcast. Em paralelo, o Windows também já fala mDNS, o protocolo moderno usado por coisas como o Chromecast para se anunciarem na rede sem depender de DNS central.
Na publicação técnica da Microsoft de abril de 2022 ficava prometida uma mudança de rumo: alinhar no mDNS, reduzir o uso de NetBIOS e LLMNR, e desativar estes dois últimos por defeito ao longo do tempo. A justificação era clara, menos tráfego ruidoso na rede e uma superfície de ataque mais pequena, sobretudo em ambientes empresariais onde ataques a LLMNR são um vetor conhecido. Ao mesmo tempo, a empresa admitia que havia redes que ainda dependiam destes protocolos e que o desligar ia ser gradual, sem uma data de corte rígida.
Quatro anos depois, a prática não acompanha completamente o discurso. Na máquina de teste descrita no artigo, a opção NetBIOS over TCP/IP surgia como “Default”, o que na prática significava “ativado pelo servidor DHCP”. O objeto de política de grupo que desliga o LLMNR aparecia como “Not Configured”, portanto o protocolo também estava funcional. Bastou tentar resolver um nome de computador inexistente para o Wireshark apanhar uma sequência completa de pedidos LLMNR, mDNS e NetBIOS a circular na rede. Em fundo, o Windows continua a disparar em todas as direções antes de admitir que aquele host não existe.
Quando quem testou desligou explicitamente o LLMNR por política de grupo e forçou a opção “Disable NetBIOS over TCP/IP” no adaptador, o comportamento mudou de imediato. As capturas de rede deixaram de mostrar pedidos NetBIOS e LLMNR, ficando o sistema dependente de DNS e mDNS. Ou seja, não há nada de misterioso, nem dependências escondidas, só opções conservadoras que a Microsoft ainda não teve coragem de inverter por defeito. Em ambientes domésticos isto passa despercebido, mas em redes empresariais grandes continua a ser mais ruído e mais um ponto de entrada potencial.
Para quem se preocupa com a segurança e já tem DNS e mDNS bem montados, esta teimosia em deixar protocolos legados ligados por omissão contrasta com o esforço em afinar outras definições chatas do Windows 11. A própria Microsoft tem empurrado ajustamentos de privacidade e de interface, como se viu nas alterações recentes a definições que irritavam meio mundo, mas na camada de rede continua a jogar pelo lado da compatibilidade antiga.
O resultado é um sistema moderno que ainda grita pela rede como se estivesse numa LAN de 2003. Enquanto a Microsoft não fechar de vez a porta a NetBIOS e LLMNR por defeito, quem administra máquinas Windows e leva a sério a segurança vai continuar a ter de fazer o trabalho à mão, um GPO de cada vez.
Fonte: MakeUseOf
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