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O teu PC com Windows fala sempre com a Microsoft. E não há botão Off

Mesmo com todas as opções de privacidade desligadas, o Windows 11 continua a enviar dados para a Microsoft. Segundo o How-To Geek, a única forma séria de parar isto é deixar de usar Windows.

O teu PC com Windows fala sempre com a Microsoft. E não há botão Off
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

O Windows 11 é um sistema operativo que vive online por defeito. Mesmo que passes meia hora nas Definições a desligar tudo o que diga respeito a privacidade, há sempre dados a sair do teu PC para a Microsoft. Quem analisou o comportamento do sistema para o How-To Geek chega a uma conclusão pouco simpática: se queres mesmo cortar essa ligação, tens de abandonar o Windows.

De acordo com a descrição do How-To Geek, o Windows distingue entre dois tipos de dados de diagnóstico. Os obrigatórios e os opcionais. Os obrigatórios incluem especificações do dispositivo, algumas definições, versão do sistema, registos de falhas e dados técnicos que a Microsoft diz usar para manter o Windows estável e seguro em mais de mil milhões de máquinas. Na prática, significa que existe um fluxo contínuo de informação sobre o teu computador, mesmo que não vejas nada no ecrã.

Os dados opcionais são outra conversa. Entram aqui padrões de utilização de apps, formas de escrita, possíveis amostras de texto que introduzes, e até histórico de navegação em certas condições. A fronteira entre “diagnóstico” e perfil detalhado de utilizador começa a ficar bastante difusa. Para completar o pacote, o Windows associa-te um ID de publicidade, mantém histórico de localização e usa “experiências personalizadas” para adaptar recomendações e anúncios da própria Microsoft e de terceiros.

O problema é que todas estas camadas de telemetria e personalização já não são um extra colado à pressa. São parte estrutural do Windows 11. Muitas delas não se conseguem desinstalar e, em vários casos, nem sequer desativar totalmente. É o mesmo caminho que se tem visto noutras frentes, como a integração agressiva de funcionalidades de IA. A conta de privacidade paga-se com hardware e com dados.

Claro que consegues reduzir o estrago. Nas Definições do Windows 11, nas secções de Contas e de Privacidade e segurança, há uma manta de retalhos de opções: diagnósticos e feedback, permissões de localização, histórico, ID de publicidade, sugestões personalizadas, sincronização com a tua conta Microsoft. Desligar tudo o que é “experiências personalizadas”, limitar ao mínimo os dados de diagnóstico e recusar a partilha de histórico de utilização baixa a torneira. Mas não a fecha.

Segundo o How-To Geek, mesmo depois de passares por todos estes menus, continuam a existir comunicações de baixo nível que não podes desligar. Parte delas é provavelmente necessária para atualizações e ativação de licenças. Outra parte existe porque o modelo de negócio da Microsoft, tal como o de quase todas as grandes plataformas, depende de saber o máximo possível sobre como usas o sistema. A própria integração com a conta Microsoft, que o Windows 11 tenta impor desde a instalação, é uma peça central dessa estratégia. Já o tínhamos visto noutras frentes, por exemplo nos problemas com VPNs depois da update de outubro do Windows 11 ou na pressão em torno de funcionalidades como o Secure Boot, que tratámos quando os certificados começaram a expirar.

Perante isto, o texto do How-To Geek é bastante frontal: se a tua prioridade absoluta é cortar o envio de dados para a Microsoft, a única solução realista é sair do Windows. A recomendação passa por migrar para uma distribuição Linux amigável para quem vem do mundo Microsoft, como o Linux Mint, o que bate certo com a popularidade crescente destas alternativas entre utilizadores fartos de telemetria obrigatória. A ironia é simples. Num sistema fechado como o Windows, nunca tens visibilidade total sobre o que sai pela rede. Num sistema aberto, pelo menos, podes auditar e escolher.

Em 2026, continuar a chamar a isto “diagnóstico” é esticar o conceito. A Microsoft não está sozinha, mas a escala do Windows dá outra gravidade ao assunto. A diferença entre aceitar essa troca de dados ou mudar de sistema já não é técnica. É política pessoal. E cada vez menos reversível.

Fonte: How-To Geek

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