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Google deixa Nest antigos sem cloud, comunidade devolve-lhes o cérebro

Os primeiros Nest Learning Thermostat perderam funções ligadas à cloud em 2025 e ficaram reduzidos ao básico. Um projeto open source devolve-lhes agendamento remoto, integrações e um pouco de respeito pelo hardware que ainda funciona bem.

Google deixa Nest antigos sem cloud, comunidade devolve-lhes o cérebro
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Um termóstato analógico dura décadas sem se queixar. No lado “smart”, a conversa é outra: depende de servidores, apps e boa vontade das empresas. Segundo o MakeUseOf, a Google cortou em 2025 o suporte cloud aos Nest Learning Thermostat de primeira e segunda geração, transformando-os em termóstatos básicos. O hardware continua ligado à eletricidade da casa, mas muitos dos truques que justificaram o preço desapareceram com um parágrafo num site de suporte.

Os modelos afetados deixam de comunicar com os serviços da Google, por isso perdem controlo pela app Nest/Google Home fora de casa, relatórios de consumo, integrações diretas com Google Assistant, automações baseadas em geolocalização e parte da lógica “aprende a tua rotina” que dependia da cloud. Continuam a ligar e desligar aquecimento ou ar condicionado, a mostrar a temperatura e pouco mais. Na prática, quem pagou por um produto “inteligente” ficou com algo que faz menos do que muitos termóstatos programáveis baratos vendidos em qualquer loja de bricolage.

A Google defendeu, em posts de comunidade e num documento de suporte oficial, que ofereceu mais de dez anos de atualizações e que esse período é razoável para um gadget conectado. Tecnicamente é difícil discordar: uma década é mais do que muitos smartphones recebem. O problema é outro. Um termóstato está embutido na parede e no sistema de climatização da casa. Não é um brinquedo que se troca ao fim de três anos. Quando o fabricante escolhe desligar servidores, o que termina não é só o “suporte”, é o produto que foi vendido.

É aqui que entra a comunidade. Como explica o MakeUseOf, um projeto de software livre chamado No Longer Evil consegue devolver funcionalidades de cloud aos Nest antigos. A ideia é simples e nada inocente no nome: tirar estes termóstatos da dependência da Google, usando firmware e serviços alternativos controlados pelo próprio utilizador. O projeto permite voltar a aceder remotamente ao termóstato, integrar com plataformas como Home Assistant e encaixar o Nest num servidor doméstico auto-hospedado, em vez de depender de uma empresa que já mostrou que desliga o interruptor quando lhe apetece.

Não é uma solução plug-and-play. Envolve flashar firmware, lidar com redes e aceitar que, se algo correr mal, a Google não vai atender o telefone. Mas é um caminho que cada vez mais donos de casa inteligente estão dispostos a explorar: se o hardware ainda funciona e foi pago a preço premium, deixá-lo morrer por decisão comercial é difícil de engolir. E se há algo que a história recente de produtos “smart” mostra é que os projetos open source acabam muitas vezes a ser a reforma digna de gadgets que as grandes marcas decidiram abandonar.

Para quem olha para a domótica com seriedade, o caso Nest é mais um alerta: qualquer dispositivo cuja utilidade dependa totalmente da cloud está em risco estrutural. Não é um bug, é o modelo de negócio. Entre aceitar essa obsolescência programada e apostar em soluções que permitam fugir ao botão de desligar do fabricante, a escolha começa a parecer menos tecnológica e mais política.

Fonte: MakeUseOf

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