Os earbuds sem fios são dos gadgets mais descartáveis que se compram hoje. Bateria gasta, caixa com menos autonomia, um auricular perdido, e a solução habitual é deitar tudo fora. A Fairphone quer continuar a ser a excepção. Segundo o New Atlas, os novos Fairbuds 2 chegam com melhor som, mais conforto, caixa redesenhada e o mesmo compromisso: quase todas as peças podem ser trocadas em casa com uma chave de parafusos.
A marca holandesa já tinha uns Fairbuds em 2024, mas eram de plástico e menos ambiciosos. Agora passa para um corpo em alumínio reciclado, hastes ligeiramente mais curtas e uma caixa mais pequena e leve. Cada auricular pesa 4,8 g, a caixa fica pelos 39 g, e a autonomia anunciada vai até 8 horas de música mais 40 horas extra na caixa. Não é recorde da indústria, mas está no patamar em que a maior parte das pessoas deixa de se preocupar com o indicador de bateria.
A parte realmente diferente está dentro. As baterias dos earbuds e da caixa saem com parafusos, a placa do botão físico é um módulo separado, e até um auricular perdido pode ser substituído sozinho. A Fairphone vende estas peças no seu site, e nas contas do New Atlas uma bateria nova para a caixa custa à volta de 12,99 dólares, cerca de ~12€. A ideia é simples e ao mesmo tempo rara no áudio de consumo: em vez de tratar os fones como descartáveis ao fim de dois ou três anos, prolongar a vida com peças de baixo custo. Num mercado dominado por produtos colados e selados, isto é quase subversivo.
Em especificações, os Fairbuds 2 não ficam muito atrás dos rivais mais conhecidos. Têm cancelamento ativo de ruído, modo transparência, certificação IP54 contra pó e salpicos, Bluetooth multiponto e suporte para codecs SBC, AAC e LC3. A app de companhia inclui equalizador de cinco bandas e perfis de som, e quem os ouviu para o New Atlas fala em melhorias claras face ao modelo anterior, com graves mais controlados e médios mais limpos. Não prometem competir com auscultadores premium como os QuietComfort, mas entram no segmento em que muita gente olha primeiro para o preço e para a bateria.
Falando de preço: os Fairbuds 2 são lançados a 149€ na Europa. Ficam bem abaixo dos earbuds topo de gama de marcas como Apple, Bose ou Samsung, que rondam os 250€ a 300€. Em troca, abdicas de alguns truques como áudio espacial mais elaborado ou integração profunda com um único sistema operativo, mas ganhas algo que esses raramente oferecem: um plano claro para reparar quase tudo o que possa falhar. Depois de ver marcas a recuarem em reparabilidade e a insistirem em cases gigantes com features marginais, esta abordagem soa quase sensata.
Não é que a Fairphone vá, de repente, converter o mercado. A maior parte das pessoas continua a comprar pelos descontos e pela marca, não por poder trocar uma bateria daqui a três anos. Mas a pressão regulatória na União Europeia aponta cada vez mais para o direito à reparação, e alguém tem de mostrar que isto é possível num produto de 149€. Se os Fairbuds 2 forem minimamente competentes no dia a dia, tornam ainda mais difícil justificar porque é que tantos earbuds de 250€ continuam a ser, na prática, consumíveis de luxo.
Fonte: New Atlas
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