Follow Me da Antigravity transforma o drone A1 num cameraman de pulso
Novo conjunto de acessórios junta relógio, anel e proteções de hélices para seguir o utilizador e obedecer a gestos. A ideia é forte, o hardware nem tanto.
Novo conjunto de acessórios junta relógio, anel e proteções de hélices para seguir o utilizador e obedecer a gestos. A ideia é forte, o hardware nem tanto.
Um drone que te segue sozinho já não é novidade. Um que o faça guiado por um relógio e um anel, com gestos no ar, ainda é. A Antigravity apresentou o Follow Me, um conjunto de acessórios para o A1 que tenta precisamente isso: transformar o drone num cameraman preso ao teu pulso.
De acordo com o Engadget, o Follow Me bundle junta três peças: proteções de hélices, um Watch Remote em formato de relógio e um Ring Remote em forma de anel. O pacote completo com o drone A1 custa $799, perto de 735€. Quem já tem um A1 pode comprar só os acessórios por $340, à volta de 310€, com desconto para atuais donos do drone. É um valor considerável para o que é, na prática, uma nova forma de controlo e algum reforço de segurança.
A parte mais interessante está no Watch Remote e no Ring Remote. A Antigravity combina o tracking visual do A1 com GNSS (Global Navigation Satellite System) integrado no relógio para seguir o sujeito com mais precisão. O anel acrescenta um sistema de gestos: manténs o botão premido, apontas para o drone e mexes a mão para a esquerda, direita, cima ou baixo, e o A1 responde. Rodar o braço aproxima ou afasta o drone. Na teoria, isto liberta-te do comando de uma mão e dos óculos volumosos que acompanhavam o A1 original, algo que quem o testou para o Engadget descreve como uma vantagem óbvia em cenários como andar de bicicleta sozinho.
Na prática, há arestas bem visíveis. Quem escreve no Engadget aponta que o relógio é um bloco pouco elegante, que parece uma cópia de Apple Watch de há uma década. Tem ecrã tátil, um botão físico e carrega por USB-C, com cerca de cinco horas de utilização contínua com o drone. O problema não é tanto a autonomia, é o acabamento: a bracelete de tecido e as ligações parecem frágeis e obrigam a algum cuidado a colocar e tirar. O anel ainda inspira menos confiança, com uma tira de velcro delicada, apesar de trazer um acessório para carregar por USB-C e um suporte de bicicleta para o relógio.
Também o esquema de gestos, batizado de Drag-to-Fly, não soa especialmente intuitivo. É preciso primeiro escolher no relógio quem é o alvo a seguir, depois manter o botão do anel premido, ouvir a confirmação sonora e só então fazer o gesto. E há limitações curiosas: não é possível alterar ao mesmo tempo a distância e a posição tridimensional do drone, é preciso alternar gestos soltando e voltando a carregar no botão. O jornalista do Engadget deixa um recado claro à Antigravity, pouco entusiasmado com a ideia de ter de fazer quase um gesto de continência com um braço estendido para o céu sempre que quer que o A1 suba.
O relógio não serve só para gestos. A interface tátil permite descolar o A1, mudar modos de vídeo, definir trajetórias de voo e arrancar com movimentos pré-programados, como espirais verticais, flyovers e a manobra “antigravity line”, que combina uma subida com um mergulho rápido em direção ao sujeito. Atualizações recentes do A1 trouxeram ainda descolagem a partir da palma da mão, útil quando o chão está molhado ou cheio de lama. Já as proteções de hélices parecem corrigir um erro da primeira versão: segundo o Engadget, nos testes iniciais o A1 colecionou encontrões a paredes e hélices lascadas, algo que este kit tenta mitigar.
A Antigravity diz que o Follow Me é pensado para exterior e recomenda pelo menos 2 metros de folga vertical, com alarmes sonoros e vibração se tentares arriscar mais do que devia. Há até um modo experimental que baixa essa margem para 1 metro, assumindo o risco. No conjunto, a ideia de um drone 360 que te segue controlado por um relógio e um anel tem lógica e encaixa bem numa geração de dispositivos que perseguem o utilizador no espaço, como as câmaras motorizadas de segurança doméstica. Mas com gestos pouco naturais, hardware com ar datado e preços na casa dos 300€ só para os acessórios, o Follow Me parece mais um bom protótipo caro do que o novo standard dos drones de consumo.
Fonte: Engadget
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