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HTC Vive Eagle querem ser os óculos “anti‑Meta” centrados na privacidade

Os novos óculos inteligentes da HTC fazem quase o mesmo que os de Meta, mas trocam a sede de dados por limites claros: IA sem login, vídeos cifrados e luz de gravação impossível de ignorar.

HTC Vive Eagle querem ser os óculos “anti‑Meta” centrados na privacidade
Ilustração digital | Pixel Magazine

A HTC está de volta à ribalta com um alvo bem definido: os óculos da Meta. Nos EUA, a marca começou a vender os Vive Eagle, óculos inteligentes de 499 dólares, com o argumento de que fazem quase tudo o que os Ray‑Ban da Meta fazem, mas sem estar colados a uma rede social. A mudança de foco é óbvia: menos “feed” e mais privacidade.

De acordo com o Wired, os Vive Eagle seguem o guião básico do segmento: câmaras para fotos e vídeo, colunas embutidas nas hastes para música e chamadas, gravação e transcrição de notas de voz e um assistente de IA capaz de responder a perguntas e até sugerir receitas a partir de fotos do frigorífico. Existem duas variantes de design, uma em estilo mais quadrado tipo Wayfarer e outra com lentes arredondadas. Em termos de autonomia, falamos de cerca de 4,5 horas de reprodução contínua de música e até 36 horas em standby, números aceitáveis mas ainda longe de substituir um par de óculos normal sem planeamento diário.

Onde a HTC tenta marcar diferença é na forma como lida com dados e vigilância casual. O assistente Vive AI consegue usar ChatGPT ou Gemini sem exigir login, o que segundo a empresa deixa o utilizador “desidentificado” e impede estes serviços de acumular perfis detalhados. Em troca, perdem‑se as personalizações típicas, como cruzar emails e mensagens para recomendações mais espertas. Ainda assim, para quem olha para os óculos conectados com desconfiança, a troca parece sensata. O pacote inclui dois anos do serviço Vive AI Plus, depois disso há subscrição mensal de 2,50 dólares, um lembrete de que até a “privacidade” virou linha de receita recorrente.

O mesmo cuidado aparece no hardware. Junto às câmaras há um LED de gravação bem visível e, segundo o Wired, se o utilizador tapar a luz os óculos recusam gravar. A HTC também activa um comando de voz: se alguém ao pé de ti disser para parar de gravar, a captação de vídeo termina. O vídeo fica cifrado e guardado localmente nos óculos, não sobe para o telemóvel ou cloud por defeito. Quem quiser exportar ficheiros tem de o fazer manualmente na app. É uma abordagem que contrasta com o historial da Meta, que já teve de lidar com utilizadores a colar autocolantes no LED ou a mexer no hardware para o desligar e acabou empurrada para medidas de software mais duras.

Esta estratégia “anti‑Meta” encaixa na narrativa da própria HTC, que faz questão de lembrar que não vive de publicidade nem de uma rede social global. Nas declarações citadas pelo Wired, a empresa sublinha que não tem incentivo para recolher mais dados do que o estritamente necessário e que não usa estas interacções para treinar modelos próprios. É um discurso confortável, mas que só convence se aguentar uma auditoria séria. Enquanto isso, a realidade é que continuas a ter uma câmara ligada à cara, algo que já transformou os Ray‑Ban da Meta num íman de polémicas e rótulos pouco simpáticos em espaços públicos.

Para quem olha para este mercado com algum cansaço depois de Google Glass, Snap Spectacles e afins, a movimentação da HTC mostra outra coisa: os óculos inteligentes entraram numa fase de iteração lenta. São mais discretos, gravam melhor, integram IA mais capaz, mas continuam a bater na mesma parede social. Já se viu com os Meta Glasses Gen 3 e com óculos XR mais ambiciosos como os Xreal Aura, que analisámos recentemente, e agora volta a ver‑se aqui. A tecnologia cresce, a aceitação continua presa na mesma pergunta silenciosa: quem é que está a ser filmado desta vez.

Fonte: Wired

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