Meta Glasses Nova Gen 3 chegam com melhorias mínimas
Os novos óculos inteligentes da Meta e Ray-Ban ganham bateria e microfones, mas ficam presos ao mesmo conceito problemático: câmara na cara e IA que pouco impressiona.
Os novos óculos inteligentes da Meta e Ray-Ban ganham bateria e microfones, mas ficam presos ao mesmo conceito problemático: câmara na cara e IA que pouco impressiona.
Os Meta Glasses Nova (Gen 3) são a terceira tentativa da Meta de pôr uma câmara e um assistente de IA na cara das pessoas e vender isso como futuro dos wearables. Segundo o Wired, a nova geração traz mais autonomia, microfones melhores e um encaixe mais leve, mas continua a parecer uma iteração tímida sobre um produto que já levantava questões sérias de privacidade.
Comecemos pelo que muda. A Meta fala em até nove horas de bateria, mais uma do que a geração anterior. Há um sistema de seis microfones que, nas palavras de quem testou para o Wired, consegue filtrar um alarme de incêndio a tocar dentro de casa ao ponto de a pessoa do outro lado da chamada nem o ouvir, só o pânico na voz de quem fala. Há um botão físico dedicado ao assistente de IA da Meta e a armação está mais fina e leve, com dezenas de combinações de cores e formatos. Nada disto é particularmente tecnológico, mas são os ajustes que fazem a diferença no dia a dia.
O resto é quase tudo déjà vu. A câmara continua a ser um sensor de 12 megapíxeis capaz de gravar vídeo a 3K, igual à dos modelos Gen 2. As funcionalidades de foto, vídeo rápido e partilha continuam alinhadas com o portefólio anterior. Meta insiste em normalizar o gesto de apontar discretamente a cara às pessoas e começar a gravar, e é aqui que a tecnologia bate de frente com a realidade social: estes óculos já ganharam fama de ferramenta perfeita para creeps e abusadores, como o próprio Wired tem vindo a documentar. A empresa chegou a lançar uma versão só com áudio, sem câmara, precisamente para quem quer funções inteligentes sem o estigma de andar a filmar tudo.
O modelo em foco no review do Wired é o Meta Nova, uma versão desenhada pela própria Meta, sem marca Ray-Ban. Mantém o software principal por 299 dólares, cerca de ~275€, com armação translúcida castanha e lentes arredondadas. Os Meta com logótipo Ray-Ban sobem a fasquia, começam nos 499 dólares, cerca de ~460€, e jogam mais no estatuto de acessório de moda do que em ganhos funcionais claros. A certa distância, descreve quem viu, a própria saliência da câmara na armação passa por rebite decorativo, o que diz tudo sobre a prioridade de tornar a vigilância embutida socialmente aceitável.
Em termos de uso, o grande ganho prático parece mesmo ser a captação de voz. Chamadas mais limpas, menos ruído de fundo, mais conforto em conversas longas. É o mesmo tipo de aposta que já se viu noutros óculos com foco em áudio e assistência, como os óculos de IA da Legato, mas aqui embrulhado num pacote em que a câmara continua a ser estrela e problema ao mesmo tempo. Quanto ao cérebro do sistema, a IA da Meta continua a ser descrita como pouco impressionante, mais gimmick do que ferramenta que mude a forma como se interage com tecnologia.
No fim, a própria avaliação do Wired estabiliza num 7 em 10. Leves, com mais opções de estilo, melhor bateria e melhor som. Mas essencialmente o mesmo produto que já existia, com a mesma tensão entre conveniência e intrusão, agravada por um histórico de polémicas de uso abusivo. Não é propriamente pouca coisa, para um gadget que a Meta insiste em pôr no centro da sua visão de computação pessoal. Se esta for a aposta séria para além do smartphone, três gerações depois a ambição continua curta para o peso que a empresa quer que estes óculos tenham.
Fonte: Wired
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