Os open earbuds deixaram de ser curiosidade de geek para se tornarem uma categoria séria. Em vez de se enfiar dentro do ouvido, estes auscultadores pousam junto ao canal auditivo e deixam passar o som ambiente. Resultado: música ou podcasts sempre ligados, mas sem desligar do trânsito, da campainha ou daquele colega que insiste em falar-te por cima dos fones.
Nos testes da Wired, os Shokz OpenDots 2 aparecem como a melhor proposta global deste formato em 2026. E a ficha técnica ajuda a perceber porquê. Falamos de 10 horas de autonomia por carga e 40 horas no total com a caixa, um valor que envergonha muito auricular tradicional. Há Bluetooth 6.1, carregamento sem fios e certificação IP57 para poeiras e água, ao nível de modelos topo de gama como AirPods Pro e Galaxy Buds Pro. Não é marketing aquático: o jornalista da Wired diz que os usou à chuva, na praia e até submersos, sem dramas.
O truque de design está no sistema de clip-on: uma espécie de argola que se prende ao lóbulo, com o altifalante a ficar mesmo à entrada do canal auditivo e a outra extremidade atrás da orelha. A parte de cima da orelha fica livre para óculos, óculos de sol ou bonés. É um pormenor, mas em uso diário conta mais do que a maior parte das “features” que enchem caixas. Como em qualquer open ear, o silêncio não é prioridade, ouves o mundo inteiro com a tua música por cima. Para voos longos, metro ruidoso ou ginásio pesado, continua a fazer sentido ter uns bons noise-canceling earbuds a acompanhar.
Onde é que isto encaixa para quem anda por Portugal e arredores? Sobretudo em corrida, bicicleta e caminhadas urbanas, onde queres estar atento ao trânsito sem abdicar de navegação por voz, podcasts ou chamadas. Também fazem sentido em teletrabalho para quem passa horas em calls, mas precisa de ouvir o que se passa em casa. A contrapartida é óbvia: em escritórios barulhentos ou salas de estudo cheias, vais ouvir as conversas todas. Aqui, o formato aberto joga contra ti.
O preço nos EUA é de 200$, cerca de 185€ antes de impostos. Não é precisamente um brinquedo barato, sobretudo vindo de uma marca que muitos ainda associam só a “uns phones estranhos de corrida”. Em troca, tens autonomia generosa, construção preparada para suor e chuva e especificações que não ficam atrás de muita estrela de marketing da Bose ou da Sony. A Shokz já lançou variantes mais baratas, como os Shokz OpenDots Air, mas ainda é cedo para perceber se cortam nos sítios certos ou só para bater no preço.
Por agora, o recado é simples: se andas sempre a tirar e pôr auriculares porque precisas de falar com pessoas, atravessar passadeiras ou ouvir anúncios no comboio, os OpenDots 2 são um sinal claro de que os open earbuds deixaram de ser nicho. Falta ver se as marcas tradicionais vão acompanhar esta viragem com a mesma seriedade técnica, ou se vão continuar presas ao velho mantra do isolamento total num mundo que, ironicamente, nunca fez tanto ruído.
Fonte: Wired
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