MediaTek passa à frente da Qualcomm com chip a 2 nm da TSMC
O novo Dimensity 9600 Pro estreia o processo N2P de 2 nm da TSMC em smartphones. Menos consumo, mais IA e um recado claro ao lado Snapdragon.
O novo Dimensity 9600 Pro estreia o processo N2P de 2 nm da TSMC em smartphones. Menos consumo, mais IA e um recado claro ao lado Snapdragon.
A primeira grande estreia comercial do processo de 2 nm da TSMC em smartphones não vem da Apple nem da Qualcomm. Vem da MediaTek, que acaba de anunciar o Dimensity 9600 Pro como o seu novo topo de gama móvel, produzido no processo N2P de 2 nanómetros. É menos sobre a ficha técnica e mais sobre quem chega primeiro à linha de meta num momento em que cada nó de fabrico é um ativo geopolítico, como se viu na corrida da TSMC com a ASML pelas máscaras de litografia para mega-chips de IA.
Enquanto muita gente em Portugal associa chips móveis premium quase automaticamente à Qualcomm, a MediaTek aproveita para lembrar que continua a vender mais volume e que também joga na liga de cima. O 9600 Pro usa um desenho de CPU 2+3+3 de All Big Core. Nada de núcleos “pequenos”, tudo centrado em desempenho. A marca fala em menos 61% de consumo em multi-core, mais 17% em velocidade single-core e mais 15% em desempenho multi-core face à geração anterior. Números bonitos em slide de keynote, que depois têm de sobreviver à realidade de ecrãs a 120 Hz, 5G sempre ligado e apps a puxar por tudo.
O outro pilar é a IA. O Dimensity 9600 Pro vem com uma arquitetura dual-NPU que mistura computação de IA e GPU e um tal de Agentic AI Engine para IA no próprio dispositivo. A tradução para o dia a dia: mais margem para modelos de IA generativa a correr no telemóvel sem ir sempre à nuvem, desde assistentes de voz a edição de foto e vídeo no momento. No marketing, isto vai aparecer como “IA em todo o lado”. Na conta de luz, o que interessa é se o tal nó de 2 nm consegue mesmo manter o consumo controlado enquanto tudo isto corre em paralelo.
Para jogos, a MediaTek fala em mais 27% de pico de desempenho, 18% de raytracing mais rápido e 24% menos consumo em carga máxima. É agressivo. Mas a pergunta para quem joga em Android é se os estúdios vão optimizar motores para esta plataforma com o mesmo cuidado que têm com Snapdragon. Fora da China, a Qualcomm ainda dita muito do alvo de otimização. O suporte para captura de vídeo até 4K a 120 fps também é relevante, sobretudo para quem grava conteúdo para redes sociais e quer slow-motion decente sem levar sempre uma câmara dedicada na mochila.
No plano estratégico, a MediaTek faz questão de sublinhar que é o “maior fabricante de chipsets móveis” em volume, com marcas como Oppo, Xiaomi, Samsung, Motorola e Realme no portefólio. Em Portugal, muitos destes modelos chegam mascarados sob gamas de média-alta, onde o preço conta tanto como o logótipo do chip. Estrear o processo de 2 nm da TSMC aqui é uma forma de tentar mudar a narrativa: deixar de ser visto só como opção racional mais barata e passar a ser lido como líder tecnológico em alguns ciclos.
A Qualcomm só deverá alinhar com o processo N2P de 2 nm da TSMC com o futuro Snapdragon 8 Elite Gen 6, apontado para muito em breve. Apple já disse que usa 2 nm nos iPhone 18, mas aí o utilizador nem escolhe o chip, compra o pacote inteiro. No Android, a escolha entre um topo de gama com Dimensity ou Snapdragon pesa. Se os parceiros da MediaTek trouxerem o 9600 Pro em smartphones bem afinados e com preços agressivos na Europa, a conversa “Snapdragon ou nada” pode começar a soar mais datada do que alguns gostariam.
Fonte: Engadget
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