ARM promete GPUs com IA nativa nos Android topo de gama de 2027
A nova arquitetura CSS for Mobile 2 traz a GPU Mali G2-Ultra NX e núcleos C2 focados em agentes de IA. Menos watts, mais frames, e um empurrão ao gaming móvel.
A nova arquitetura CSS for Mobile 2 traz a GPU Mali G2-Ultra NX e núcleos C2 focados em agentes de IA. Menos watts, mais frames, e um empurrão ao gaming móvel.
A ARM apresentou o CSS for Mobile 2, o próximo pacote de tecnologia para chips móveis, e a mensagem é simples: os topos de gama Android de 2027 vão viver ainda mais obcecados com IA e gaming. O destaque é a nova GPU Mali G2-Ultra NX, que a ARM descreve como a sua primeira GPU “IA-nativa”. Em vez de mandar dados gráficos dar uma voltinha por unidades de IA separadas, passa a fazer o truque todo dentro da própria GPU.
Hoje, num telemóvel típico, o pipeline é mais tortuoso: a GPU renderiza, a NPU (unidade de processamento neural) ou outro bloco especializado faz o upsccaling ou truques de IA, e os dados vão e voltam pela memória. O que a ARM está a vender agora é uma espécie de DLSS à escala de bolso: neural super sampling para subir imagens de baixa resolução, neural frame rate upscaling para inventar frames intermédios, e um modo de super sampling com denoising para limpar ruído em cenas pesadas com reflexos e iluminação complexa, incluindo ray tracing.
Os números que a ARM atira para cima da mesa são agressivos: renderizar a 540p e reconstruir para 1080p, passar de 30 para 60 frames por segundo, com até 4x mais eficiência e menos 70% de tráfego de memória externa em cenários de demonstração. Na prática, isto significa desenhar chips com menos largura de banda e menos transístores só para brute force gráfico, e confiar mais em modelos de IA a corrigir o que falta. É o mesmo compromisso que já vemos em PC e consolas, encolhido para um SoC de telemóvel.
Para quem compra topos de gama Android em Portugal, o mais provável é ver esta tecnologia a chegar via MediaTek, que usa há anos núcleos e GPUs da ARM nos seus Dimensity. O Oppo Find X9 Pro, por exemplo, já combinava Dimensity 9500 com uma GPU Mali G1-Ultra. A passerelle entre os dois mundos também está a apertar: Nvidia e MediaTek andam de mãos dadas em chips, como já analisámos quando a Nvidia entrou com 3,5 mil milhões na MediaTek. Se a Mali G2-Ultra NX cumprir, pode ser aqui que o segmento Android “normal” recupera algum terreno na conversa dominada por Apple e Qualcomm.
O CSS for Mobile 2 não é só GPU. Há também novos núcleos de CPU, os ARM C2, pensados para aquilo que agora toda a gente baptizou de “agentes de IA”. Face aos C1, a ARM fala em mais 15% de desempenho em single-thread, 12% em multi-thread, 1,7x mais performance em modelos de IA e ainda assim menos 38% de consumo. Traduzido para o dia a dia, isto é abrir apps e navegar na web mais depressa, enquanto o chip tenta manter os watts sob controlo para não fritar a bateria.
A ARM mostra o demo obrigatório, um jogo co-desenvolvido com a Sumo Digital, cavernas cheias de cogumelos fluorescentes e reflexos para provar que o ray tracing também cabe num telemóvel. Mas o que interessa não é o trailer, é o controlo político da pilha tecnológica: se a reconstrução por IA se tornar a norma, quem controla a GPU e os modelos associados controla a forma como vês o jogo no ecrã. Para já, a promessa é de telemóveis mais finos, baterias mais pequenas e preços potencialmente mais baixos. A história recente dos “potencialmente” no mercado de smartphones, porém, diz-nos que o mais certo é veres primeiro o marketing do que a poupança na etiqueta.
Fonte: CNET
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