Malware está a roubar sessões do Claude para esvaziar saldos
Infostealers estão a copiar sessões já autenticadas do Claude em PCs infectados e a gastar limites e créditos dos utilizadores. O problema é velho, a vítima é que agora é a IA.
Infostealers estão a copiar sessões já autenticadas do Claude em PCs infectados e a gastar limites e créditos dos utilizadores. O problema é velho, a vítima é que agora é a IA.
A Anthropic começou a avisar utilizadores do Claude que o saldo não está a desaparecer por magia, está a ser queimado por atacantes que roubaram sessões ativas através de malware tipo infostealer. Não é um ataque ao Claude em si. É a velha história do PC infectado, agora aplicada a contas de IA com limite e cartão associado.
Num email que acabou partilhado no Reddit, a Anthropic explica que um “bad actor” está a usar malware comum para copiar sessões de login ao Claude guardadas no navegador. Com essa sessão na mão, o atacante entra na conta como se fosse o utilizador, sem precisar de palavra-passe nem 2FA. Resultado: limites semanais drenados e eventuais cobranças indevidas. A empresa está a forçar o logout nas contas afetadas, a remover métodos de pagamento guardados e a reembolsar consumos que consegue identificar como não autorizados.
Este cenário não é novo para quem segue segurança: infostealers existem há anos, pensados para recolher tudo o que encontram no navegador e no sistema, de passwords a cookies. A Anthropic aponta nomes conhecidos no mundo Windows, como Vidar, LummaC2, StealC, RedLine e Acreed, e refere ainda o Atomic Stealer (AMOS) em alguns Macs. Um dos utilizadores afetados admitiu ter instalado um jogo pirata, o que continua a ser a forma clássica de abrir a porta a este tipo de malware. A diferença é que agora, no saco de dados roubados, também vêm sessões de IA generativa com valor económico direto.
A empresa insiste que não há indicação de falha do Claude nem de malware distribuído pela própria plataforma. O problema está a montante, nos computadores comprometidos. Ao copiar um cookie de sessão válido, o atacante salta todo o processo de autenticação robusta em que se tem investido nos últimos anos. Não é por acaso que, quando se fala de ataques a agentes autónomos e a ferramentas de código como o Claude Code, o elo fraco continua a ser quase sempre o lado do utilizador e do ambiente onde a conta vive, como vimos no caso em que um simples resumo enganou o modelo da Anthropic.
Do lado da mitigação, a Anthropic está a fazer o que consegue no servidor: revogar sessões suspeitas, limpar cartões e avisar. Mas sublinha o óbvio que muita gente prefere ignorar: terminar sessão no Claude não remove o malware. Se o infostealer continuar instalado, o próximo login limpo volta a ser copiado, e o ciclo recomeça. A recomendação passa por medidas básicas, mas muitas vezes adiadas, como correr ferramentas antimalware credíveis, mudar passwords, rever sessões ativas noutros serviços e deixar de instalar software vindo de torrents e sites obscuros, por muito apetecível que pareça o download fácil.
Para quem usa o Claude em contexto profissional ou académico, isto deve ser mais um lembrete de que a conversa sobre IA responsável não se esgota em alinhamento e filtros de conteúdo. Se o portátil de trabalho está a correr o mesmo Windows cheio de cracks e adware que o PC de jogos, as sessões de IA tornam-se só mais um alvo num mercado de credenciais roubadas. E nessa economia paralela, uma conta de IA com cartão pronto a faturar vale hoje tanto como um login de Netflix valia há uns anos.
Fonte: BleepingComputer
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