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Porque é que o teu Kindle tem Bluetooth e quase não o usas

No Kindle, o Bluetooth não serve para passar ficheiros nem ligar teclados. Serve para dar som a um aparelho feito para ler em silêncio.

Porque é que o teu Kindle tem Bluetooth e quase não o usas

Quem pega num Kindle pela primeira vez pensa em livros, não em Bluetooth. O leitor da Amazon vive de Wi-Fi e cabo USB para descarregar títulos, sincronizar progresso e pouco mais. Ainda assim, desde 2016 que a maioria dos modelos traz Bluetooth integrado. Não é um extra perdido na folha de especificações. É a forma de dar voz a um dispositivo que a Amazon decidiu manter mudo.

Os Kindles recentes deixaram de ter colunas ou entrada de auscultadores. Se queres ouvir um audiolivro da Audible ou usar leitura em voz alta, precisas de um dispositivo de áudio externo, ligado por Bluetooth. O Kindle passa a ser menos um livro digital e mais um pequeno leitor multimédia minimalista. Não é propriamente cómodo como uma app no telemóvel, mas para quem já vive dentro do ecossistema Kindle faz sentido aproveitar a biblioteca sem mudar de aparelho.

Há um lado mais sério: acessibilidade. O Bluetooth é o canal para o VoiceView, o sistema que lê o texto da interface em voz alta e ajuda utilizadores com baixa visão a navegar menus e livros. Sem colunas nem jack de áudio, a ligação sem fios é a única forma prática de o fazer. A Amazon não publicita isto com o mesmo entusiasmo que um tablet novo, mas aqui o Bluetooth é menos luxo e mais necessidade básica.

Na prática, emparelhar é simples, desde que o Kindle seja de 2016 ou mais recente. Abres a biblioteca, escolhes um audiolivro e, ao carregar em reproduzir, o Kindle pede-te um dispositivo Bluetooth. Pões os auscultadores em modo de emparelhamento, tocas no nome que aparece no ecrã e ficas com controlo de capítulos, avanço e retrocesso, velocidade de leitura e volume pelo painel de ações rápidas. Se não aparecer nada, é a rotina do costume: reiniciar o Kindle, confirmar atualizações de software e tentar outra vez.

Onde o Bluetooth não entra é noutras funções que muitos assumiriam por instinto. Não há forma de virar páginas via Bluetooth, por exemplo. Se tens dificuldades motoras e gostavas de um comando remoto oficial, ficas de mãos a abanar. As soluções existentes usam clipes com tecnologia de radiofrequência que simulam o toque no ecrã, com um comando dedicado. Dá trabalho, é caro e a Amazon continua sem alternativa própria. Também não podes ligar teclados Bluetooth, nem enviar ficheiros entre o Kindle e o telemóvel: essa porta está simplesmente fechada por decisão de produto, não por limitação técnica.

No fim, o Bluetooth no Kindle é um recurso muito mais estreito do que sugerem as expectativas criadas por anos de smartphones e tablets. Serve para auscultadores, colunas e pouco mais, mas é também isto que o torna relevante para quem precisa de acessibilidade básica num leitor barato. A ironia é clara: o Kindle consegue ler-te um livro, só não te deixa virar a página com um botão remoto.

Fonte: Engadget

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