Project Helix pode ser bem mais do que uma nova Xbox
Asha Sharma fala em 'família de dispositivos' para o próximo ciclo Xbox. Consola única pode dar lugar a vários formatos, com AMD e terceiros à mistura.
Asha Sharma fala em 'família de dispositivos' para o próximo ciclo Xbox. Consola única pode dar lugar a vários formatos, com AMD e terceiros à mistura.
Asha Sharma, a nova CEO da Xbox, voltou a falar de Project Helix e clarificou uma coisa importante: a próxima geração Xbox não será apenas uma consola, será uma “família de dispositivos”. Em março, Helix tinha sido apresentado como “a próxima geração de consola”, no singular. Agora, a narrativa muda, e isso diz muito sobre o plano da Microsoft para o pós-Series X|S.
Na entrevista à BBC, Sharma evitou responder diretamente se Helix será ou não uma consola sem leitor de discos. O que fez foi alargar o foco: “temos trabalhado numa excelente próxima geração e numa excelente família de dispositivos para Helix, e partilharemos mais em breve”. O timing é tudo menos inocente, poucos dias depois de a Xbox lançar o programa que permite converter discos físicos em versões digitais. Quando uma marca começa a ajudar-te a abandonar o disco, não é por altruísmo.
O termo “família de dispositivos” encaixa no acordo de “parceria estratégica multi‑anual” que a Microsoft assinou com a AMD em 2025, para desenvolver um “portefólio de dispositivos”, incluindo a próxima Xbox. Já se falava em variantes de Helix focadas em cloud, em formatos tipo box compacta para a sala ou mesmo hardware de parceiros. E a própria administração alimenta essa leitura. Tem circulado o rumor de que terceiros poderão vender os seus próprios dispositivos Helix. Jason Ronald, VP da próxima geração Xbox, não negou frontalmente: limitou-se a garantir que “Project Helix estará disponível como consola Xbox de 1.ª parte”. Isso deixa espaço para Helix “licenciado” por outras marcas.
Para quem joga em Portugal, isto pode significar um ecossistema menos binário do que “compro uma Xbox ou não compro”. Podes acabar com uma consola tradicional na sala, um mini-Helix barato só para Game Pass e cloud num segundo ecrã, e talvez boxes de marcas de TV a correr o mesmo sistema. Tecnicamente faz sentido, financeiramente também. O problema é sempre o mesmo: fragmentação. Se cada Helix tiver capacidades diferentes, começa o jogo das versões “otimizadas” e dos compromissos de performance. E a história mostra que a Xbox nem sempre gere bem mensagens confusas de hardware.
Convém também respirar fundo quanto a prazos. Apesar do discurso sobre “partilhar mais em breve”, tudo aponta para 2027 como ano real de arranque. A AMD já tinha dado a entender que estará pronta a suportar o lançamento da próxima Xbox nesse ano, e o próprio Ronald disse, numa conferência em março, que Helix não chegaria sequer à fase alpha antes de 2027. Traduzido: ainda faltam pelo menos dois anos de Series X|S como hardware principal, com Helix a existir mais como pressão sobre a Sony do que como produto à porta.
Project Helix aparece assim como peça central do tal “reset” de que a Microsoft anda a falar, entre layoffs e reestruturações de estúdios. Ao mesmo tempo que fecha equipas e revê a sua relação com produtoras como a Double Fine, que já saiu com as chaves dos seus jogos, a Xbox tenta vender a ideia de uma próxima geração mais flexível e aberta. Família de dispositivos soa bem em palco. No dia em que chegar às prateleiras da Worten ou da FNAC, o que vai contar é simples: preço, clareza e se os jogos correm melhor do que numa PlayStation equivalente.
Fonte: The Verge
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