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Taiwan acusa funcionários da Nvidia por servidores de IA ilegais para a China

Nove pessoas, incluindo quadros da Nvidia e da Super Micro, são acusadas de desviar servidores de IA de topo para a China, contornando regras apertadas de exportação.

Taiwan acusa funcionários da Nvidia por servidores de IA ilegais para a China

Quando o negócio da década é a IA, não há controlo de exportação que não seja testado. Em Taiwan, procuradores acusaram nove pessoas, incluindo funcionários da Nvidia e da Super Micro, de exportarem ilegalmente servidores de IA de alto desempenho para a China, contornando as regras dos EUA e de Taipé sobre tecnologia sensível.

Segundo a acusação citada pela Reuters, o grupo terá “conspirado a vários níveis” para obter “lucros enormes”, exportando servidores de topo e, nas palavras dos procuradores da cidade portuária de Keelung, “danificando gravemente a imagem internacional” de Taiwan. As autoridades sublinham que os arguidos agiram sabendo das “rigorosas” políticas internas de controlo de exportações da Nvidia e da Super Micro, o que sugere esquemas paralelos e não falhas de compliance básicas.

O contexto é simples e brutal: a Nvidia domina o hardware de IA e grande parte dos seus chips nasce em fábricas da TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) em solo taiwanês. Mesmo os novos chips Blackwell produzidos em Phoenix, nos EUA, vão parar a Taiwan para fases avançadas de packaging antes de seguirem para integração final. Quem controla esta logística controla uma parte crítica da torneira mundial de poder de computação para IA.

Desde 2022 que os EUA proíbem a venda à China dos GPUs de IA mais avançados da Nvidia e concorrentes. Pequim ficou oficialmente limitada a gerações anteriores, como os H200, mais antigos e com menos capacidade. Taiwan, dependente da protecção política e militar de Washington, tem sido ainda mais rígida para não dar pretextos a sanções ou pressões adicionais. A acusação agora conhecida é um recado interno: quem puser em risco essa linha vermelha vai parar ao banco dos réus.

O problema é que a procura por GPUs de IA é tão absurda que o mercado cinzento floresce. Já vimos alegações de racks de servidores Nvidia no valor de mil milhões de dólares a chegar à China via Sudeste Asiático, e casos nos EUA em que três pessoas foram acusadas de desviar 3,5 mil milhões de dólares em servidores de IA por rotas de países terceiros. Em paralelo, na própria China, há um mercado cinzento de acesso a modelos como o Claude por uma fracção do preço oficial. Quando a regulação sobe, os intermediários cheiram margem.

Para quem olha de Portugal, este processo em Taiwan não é um folhetim distante. É um lembrete de que a cadeia de valor da IA está concentrada em meia dúzia de pontos geopolíticos frágeis e que cada nova restrição cria oportunidades para redes cinzentas e custos extra para quem joga pelas regras. Empresas europeias a tentar montar clusters de IA já se queixam da subida dos preços de servidores Nvidia, alimentada por escassez, especulação e operações opacas, como a recente alta de 15% por falta de memória. Quando uma acusação criminal em Keelung pode mexer com prazos de entrega em um data center em Sines, dá para perceber o quão apertado está este funil.

Fonte: Engadget

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