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Óculos ecrã da Xreal trocam estilo por utilidade pura e dura

Nada de Ray‑Ban com IA a gravar tudo. Estes óculos ligados por cabo dão‑te um ecrã gigante só para ti e explicam melhor o futuro dos computadores na cara do que o Vision Pro.

Óculos ecrã da Xreal trocam estilo por utilidade pura e dura

Deitado na cadeira, cabo USB‑C preso ao portátil, um par de óculos Xreal colado à cara e um “URGENTE: ação imediata requerida” a ocupar um ecrã virtual do tamanho de uma televisão de 170 polegadas a um palmo do nariz. É assim que começa o teste destes óculos de “ecrã virtual” que não tentam ser realidade mista, rede social ambulante ou câmara de vigilância em forma de Ray‑Ban. São só uma coisa: monitor portátil colado aos olhos.

A proposta é simples, quase bruta: ligas por USB‑C a um portátil, telemóvel, tablet ou consola portátil e o que estaria no ecrã passa a aparecer numa projeção tipo VR, bem no centro da visão. Nada de câmaras, nada de IA a ouvir tudo, nada de menus flutuantes com janelas pseudo‑3D. É um cabo, um sinal de vídeo e um par de lentes que te dá um ecrã gigante só para ti. Em voo de longo curso, no sofá deitado de lado, ou encostado na cama, a imagem fica sempre direita, sem torcicolos de portátil.

Percebe‑se porque é que esta categoria continua de nicho. As armações são volumosas, o look é tudo menos discreto, e ao fim de umas horas a testar módulos de formação aborrecidos, o jornalista da Wired tinha a testa a suar e os óculos a aquecer. Ainda assim, há aqui uma honestidade que falta a muito “spatial computing” cheio de promessas. Onde o Apple Vision Pro prometia mundos e fundos num capacete pesado e caro que está a ser discretamente recuado pela própria Apple, como se viu quando começaram os cortes no Vision Pro e na velha Siri em Cupertino, estes Xreal limitam‑se a fazer uma coisa e fazem‑na razoavelmente bem.

Há dois modelos em destaque. O ROG Xreal R1, em pré‑venda nos EUA por $849, o que daria uns ~780€ se algum dia chegar cá a esse preço, oferece um campo de visão de 57 graus e um “ecrã” virtual de cerca de 171 polegadas que pode ficar fixo no espaço ou acompanhar sempre o centro da tua visão quando mexes a cabeça. Depois há o Xreal xbx A01+, lançado na primavera, bem mais leve e barato: $299, cerca de ~275€, com um campo de visão de 50 graus, menos calor mas também menos imersão. Em ambos os casos, o princípio é o mesmo, plug and play. Nada de configurar salas virtuais.

Há um lado quase irónico: estes óculos discretos em termos de sensores são provavelmente mais “privados” do que os óculos com IA estilo Meta Ray‑Ban. Não gravam nada, não apontam câmaras a ninguém, limitam‑se a despejar conteúdo a poucos centímetros dos teus olhos. Se estiveres a trabalhar com documentos sensíveis num comboio cheio, ou a ver um vídeo que não queres partilhar com o resto do avião, só tu vês o que está ali. A única fuga de privacidade é o som, já que as hastes têm colunas que deixam escapar áudio para quem estiver ao lado, um pormenor menos simpático para ambientes silenciosos.

Para já, isto é brinquedo de entusiasta que viaja muito, estuda em quartos partilhados ou vive em casas onde a televisão da sala é espaço político. Não substitui um bom monitor na secretária, não resolve ergonomia de quem passa oito horas a escrever relatórios, e ter um cabo pendurado da cara não é propriamente o sonho de ciberfuturo. Mas se a próxima vaga de “computadores na cara” tiver algum futuro fora das demos em palco, é mais provável que passe por esta utilidade sem glamour do que por capacetes caros cheios de features semi‑acabadas.

Fonte: Wired

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