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Xiaomi sobe preços no Japão por causa da memória, Europa que se cuide

A marca chinesa vai aumentar em até 25% o preço de vários modelos no Japão, culpando a escalada dos custos de RAM. O recado é claro: a conta vai bater à porta noutros mercados.

Xiaomi sobe preços no Japão por causa da memória, Europa que se cuide

A Xiaomi acaba de dar o passo que toda a gente na indústria anda a adiar: subir preços às claras. No Japão, vários smartphones e tablets da marca vão ficar até 20.000 ienes mais caros, cerca de ~125€ a ~140€. A justificação é simples e pouco romântica, custos de memória a disparar e componentes cada vez mais caros.

O caso mais gritante é o Xiaomi 17T Pro. A versão com 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento salta de 119.800 ienes (~700€) para 139.800 ienes (~820€). A variante 12 GB/512 GB sobe de 139.800 ienes (~820€) para 159.800 ienes (~940€). Estamos a falar de aumentos na ordem dos 25% em modelos que vivem da imagem de “flagship acessível”. Vários POCO X8 Pro e X8 Pro Max levam a mesma pancada: o X8 Pro Max 12/256 passa de 79.980 ienes (~465€) para 99.980 ienes (~580€), e o 12/512 de 89.980 (~520€) para 109.980 ienes (~640€).

Não é só telemóveis, os tablets Xiaomi também sobem, embora menos, entre 2.000 e 10.000 ienes (~12€ a ~60€). Oficialmente, o anúncio foi feito pela conta japonesa da Xiaomi na rede X. Mas achar que isto fica confinado ao Japão é ser ingénuo. Quando a estrutura de custos mexe, as tabelas globais seguem atrás, especialmente para marcas que se habituaram a margens magras. Já se viu este filme do outro lado, com a escalada de preços em servidores de IA Nvidia graças à mesma escassez de memória.

O contexto não ajuda. Segundo a Reuters, a divisão de smartphones da Xiaomi viu as receitas cair 7,5% no segundo trimestre de 2026, com envios a afundarem 26%. Em paralelo, estudos como os da Counterpoint Research mostram vendas em contração na China, 13% abaixo durante o período de promoções, à boleia de preços mais altos e menos descontos. Em resumo: menos gente a trocar de telemóvel, mais caro fabricar cada unidade. Alguém vai pagar a diferença, e não costuma ser o accionista.

Para marcas Android como a Xiaomi, a dor é dupla. A memória é uma fatia gorda do custo do hardware, e foi precisamente graças a preços agressivos em RAM e armazenamento que os fabricantes chineses empurraram o segmento médio e baixo para cima. Agora, com a RAM a preço de caviar, ou cortam na ficha técnica, ou admitem aquilo que o marketing odeia, subir o PVP. Ao contrário da Apple, que consegue esconder parte desta pressão em margens pornográficas e serviços, Xiaomi, POCO e companhia têm muito menos gordura para queimar.

Para quem compra em Portugal, o recado é directo. Se andas à espera dos próximos Xiaomi “T” ou da próxima vaga de POCO X com 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento ao preço a que te habituaste, prepara-te para mais uns bons euros em cima. Entre a inflação de componentes, as regulas da UE e custos logísticos, o mito do topo de gama barato está cada vez mais apertado, como já se nota nos chips escondidos que vais pagando sem dar por isso. A Xiaomi diz que o próximo lançamento terá “máxima consideração” no preço. Traduzindo: não esperes milagres, só danos controlados.

Fonte: Android Authority

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