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OpenAI confirma: anúncios no ChatGPT chegam a 31 países europeus

Publicidade chega já para a semana às versões gratuitas e Go do ChatGPT na Europa. Há travões impostos pelo RGPD, mas a linha entre “consentir” e “pagar” volta a ficar turva.

OpenAI confirma: anúncios no ChatGPT chegam a 31 países europeus

A OpenAI confirmou o que já vinha a ser testado: os anúncios no ChatGPT chegam à Europa para a semana. Serão 31 países, Portugal incluído, com publicidade a aparecer nas contas gratuitas e no plano Go, deixando as subscrições Plus, Pro, Enterprise, Business e Education sem anúncios. A mensagem é clara, mesmo que embalada em linguagem de “acesso democrático”: quem não paga em dinheiro paga com atenção.

Na fase inicial, os anunciantes nem sequer tocam no sistema sozinhos. As campanhas passam pelo OpenAI Ads Solutions, por agências e por parceiros tecnológicos. O acesso self-service através de um Ads Manager fica prometido para “mais tarde no verão”. Ou seja, isto ainda não é um Google Ads da IA, é uma fase controlada onde a OpenAI escolhe quem entra e como, enquanto afina o modelo de negócio e tenta evitar manchetes sobre anúncios bizarros colados a respostas sensíveis.

Os anúncios ficam limitados ao escalão gratuito e ao plano Go, que custa 7,99€ por mês. Em troca, a OpenAI diz que a publicidade ajuda a financiar o acesso gratuito ou de baixo custo. Há ainda uma variante “sem anúncios” do plano gratuito, mas com limites bem mais apertados e sem ferramentas como geração de imagem ou pesquisa avançada. É aqui que o tema jurídico aquece: a Autoridade Europeia de Proteção de Dados já avisou nos seus pareceres sobre modelos “consentir ou pagar” que tem de existir uma alternativa genuína e equivalente sem publicidade comportamental. Um plano gratuito amputado de funcionalidades levanta a dúvida se cumpre esse critério ou se é apenas pressão encapotada para aceitar tracking ou subscrição.

No arranque europeu, a OpenAI sublinha que a publicidade é apenas contextual. Usa o tema da conversa em curso, localização aproximada, tipo de dispositivo, hora do dia e idioma. Sem histórico de conversas, sem “memórias” guardadas. A base legal invocada é o “interesse legítimo” previsto no RGPD, o que já é discutível por si só, dado o nível de opacidade habitual em modelos de IA generativa. A personalização a sério fica para uma segunda fase, e aí sim só para quem der consentimento explícito. Nessa altura passam a contar também o histórico de chats, as interações com anúncios e as tais memórias. O centro de ajuda da OpenAI confirma que a personalização não arranca já no Espaço Económico Europeu nem na Suíça.

Há ainda uma lista de zonas proibidas: nada de anúncios perto de temas de saúde pessoal, saúde mental ou política. Publicidade política, zero. Também não entram chats temporários, o navegador Atlas do ChatGPT nem contas que a OpenAI ache que pertencem a menores, avaliadas com base em idade declarada, idade da conta, horários de uso e tópicos discutidos. Os anúncios surgem abaixo da resposta, marcados como “sponsored” e separados visualmente. A empresa garante que os modelos não são influenciados pela publicidade e que os anunciantes só recebem métricas agregadas, sem acesso a conversas, memórias, nomes, emails, IPs ou localização precisa. Conversas privadas, sim, mas até ao limite em que a OpenAI decide o que é “agregado” e o que é “necessário ao serviço”.

O problema é que já vimos este filme no resto da internet: primeiro anúncios contextuais, depois targeting “suave”, depois uma teia de dados difícil de desfazer. A OpenAI tenta chegar à Europa com um discurso de contenção, alinhado com o RGPD, e com um modelo que lembra mais a televisão comercial do que o feed hiper-personalizado das redes sociais. A diferença é que aqui o ecrã é a tua ferramenta de trabalho ou estudo, não uma timeline de entretenimento descartável. Se a publicidade começar a infiltrar respostas que usas para programar, escrever relatórios ou estudar, a discussão deixa de ser só sobre privacidade. Passa a ser sobre confiança na própria ferramenta.

Fonte: Trending Topics

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