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Trump sobe tarifas a 100% para drones pesados e peças de avião

A nova vaga de tarifas dos EUA atinge drones, peças aeronáuticas e até minidrones de consumo. O alvo é a China, a factura é global, incluindo para a Europa.

Trump sobe tarifas a 100% para drones pesados e peças de avião

Os Estados Unidos já tinham decidido fechar a porta a novos drones estrangeiros, routers e até aspiradores-robô de certas marcas. Agora Donald Trump decidiu apertar o garrote: não chega controlar o que entra no futuro, é para encarecer o que ainda consegue passar pela alfândega.

Num novo acto presidencial, Trump impõe uma tarifa de 100% sobre importações de drones com câmaras térmicas, drones com mais de 25 kg e qualquer peça para aeronaves não tripuladas acima desse peso. Ou seja, se um drone profissional ou militar custa hoje 10.000$, a partir daqui o importador paga o dobro na fronteira. Para todos os outros drones, incluindo os sub-250 gramas que enchem cestos de Natal e vídeos no YouTube, a taxa passa a ser de 25%.

Há uma excepção com cheiro a chantagem económica: as empresas que se comprometerem a fabricar parte dos drones ou componentes nos EUA escapam às tarifas. Foi o mesmo esquema que Trump esboçou quando ameaçou uma tarifa de 100% sobre chips, com uma brecha generosa para quem aceitasse “relocalizar” produção. Aos aliados estratégicos oferece um desconto: 15% para UE, Japão, Liechtenstein, Coreia do Sul, Suíça e Taiwan, 10% para o Reino Unido, desde que hardware, software e tecnologia sejam essencialmente desses países ou norte-americanos.

Os argumentos oficiais misturam segurança nacional e soberania industrial. A Casa Branca diz que fabricantes norte-americanos de sistemas de aeronaves não tripuladas dependem em excesso de motores, controladores electrónicos, baterias de iões de lítio e docas de carregamento estrangeiras. Alega ainda que algum software permite enviar dados para o fabricante noutro país, o que é apresentado como risco de espionagem, e que a indústria interna não consegue produzir à escala e velocidade necessárias em caso de guerra. A narrativa é conhecida. O alvo implícito é a China. A vítima directa é quem precisa de equipamento agora.

Na prática, isto empurra para cima o preço de drones civis e de aplicações industriais como agricultura de precisão, inspecção de infra-estruturas ou filmagem, num mercado onde marcas como a DJI já estão sob fogo noutras frentes, como se viu quando a FCC quis tirar do ar drones DJI com LiDAR já aprovados em território norte-americano. E não é só o consumidor norte-americano que sente o impacto. Quem compra ou integra drones fabricados nos EUA ou com forte conteúdo de componentes americanos em Portugal pode ver a factura subir por arrasto, mesmo que a compra final seja feita numa Worten ou Amazon europeia.

Há ainda uma ironia jurídica: o Supremo Tribunal dos EUA e o Tribunal de Comércio Internacional já consideraram ilegais anteriores vagas de tarifas globais impostas por Trump. As empresas aumentaram preços ao abrigo dessas medidas, os cidadãos pagaram. Agora, como revelam investigações recentes, muitas companhias estão a receber reembolsos gigantescos do Estado, enquanto os consumidores não recuperam um cêntimo. As novas tarifas para drones e peças aeronáuticas parecem repetir o padrão. Vestem-se de segurança nacional, mas o efeito mais imediato é reforçar margens de corporações protegidas e encarecer tecnologia que, para o resto do mundo, continua a ser ferramenta de trabalho.

Fonte: The Verge

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