Pixel Watch 5 é quase igual, até começa a usar o Gemini bem
O novo relógio da Google muda pouco por fora, ganha músculo por dentro e tenta justificar-se com IA no pulso e um novo At a Glance realmente útil.
O novo relógio da Google muda pouco por fora, ganha músculo por dentro e tenta justificar-se com IA no pulso e um novo At a Glance realmente útil.
O Pixel Watch 5 foi oficializado no Made by Google 2026 e, se o olhares de lado, juravas que é o mesmo relógio do ano passado. Mesmo ecrã domo Actua 360, mesma resolução, até a espessura fica nos 12,3 mm entre caixas de 41 e 45 mm. A Google nem se deu ao trabalho de prometer mais autonomia: continua a falar em 30 horas no modelo pequeno e 40 no maior, com ecrã sempre ligado. Em 2026 isto já soa curto, sobretudo para quem vem de relógios Garmin ou Samsung que aguentam mais que um dia.
A mudança está escondida. O Pixel Watch 5 troca para o Snapdragon W5 Gen 2 Accelerated, com mais 12% de CPU e um co-processador M55 a ajudar nas tarefas leves. A RAM sobe de 2 para 3 GB e o armazenamento duplica para 64 GB. Em teoria, o relógio fica 20% mais rápido e preparado para mais tarefas em modo local. Na prática, no hands-on do 9to5Google, não se notou grande diferença em arranques de apps ou scroll. O salto de fluidez não é o argumento aqui, é a capacidade de correr mais IA sem depender tanto do telemóvel.
Há também uma nova Active Band de 2.ª geração em borracha HNBR com revestimento soft-touch. Pequeno detalhe, mas é isto que sentes no dia-a-dia. O problema é que, em hardware puro, a Google continua a jogar pelo seguro. Quem esperava mais bateria, mais tamanhos ou sensores extra, fica a olhar para um Pixel Watch 4.5. Dado o histórico da marca em apenas ir remendando a linha Pixel, não surpreende.
Onde a Google tenta fazer a diferença é no software. O relógio passa a ser mais um terminal do Gemini. As Proactive Suggestions, antes chamadas Magic Cue, aparecem nas notificações do Google Messages como ações de um toque: se alguém te pede um número ou morada, o relógio sugere logo a resposta com os dados certos, gerados no telemóvel e enviados para o pulso. As smart replies ganham três opções em vez de uma e surgem 50% mais depressa. Isto é a mesma lógica que já vimos quando a Google matou o Assistant em Android e empurrou tudo para o Gemini, agora encarnada no relógio.
O Gemini em Wear OS também cresce. A app integra Neural Expressive e Personal Intelligence para ler Gmail, Calendar, Keep e companhia e responder a perguntas sobre mails, listas de compras e afins, usando ainda o histórico de conversas. O gesto raise-to-talk deixa de estar limitado ao mostrador principal, por isso falar com o relógio fica menos coreografado. Mais interessante ainda, há comandos offline com modelo em dispositivo: timers, alarmes, brilho, Não Incomodar, controlo de música, abrir apps e arrancar treinos, tudo sem internet nem telemóvel por perto. É aqui que o salto de RAM e armazenamento começa a fazer sentido.
Mas o detalhe mais inteligente é talvez o novo At a Glance na parte inferior do mostrador. Em vez de um ícone minúsculo, tens agora uma faixa curva com informação em tempo real: timers, alarmes, treinos, música, voos, cartões de embarque e atualizações de navegação. Um duplo toque expande, um movimento de pulso afasta e fecha, tudo pensado para se usar com uma mão ocupada num saco ou no corrimão do metro. Juntam-se ainda dois novos mostradores, Weave e Chronograph, e 11 estilos de complicações com cor própria, menos dependentes do Dynamic Color. É uma afinação óbvia, mas bem-vinda: aquilo que interessa tem de ser legível num olhar de meio segundo, não num exercício de design Material You.
O Pixel Watch 5 parece menos um novo relógio e mais um chassis antigo adaptado ao mundo em que a Google quer que o relógio seja a porta de entrada para o Gemini. Quem quiser hardware fresco pode achar a atualização tímida. Quem vive nos serviços da Google e aceita o pacote de IA no pulso encontra aqui um Pixel Watch 4S com software mais atento, que começa finalmente a tratar o mostrador como centro de informação e não como um poster bonito.
Fonte: 9 to 5 Google
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