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Pixel 11 chega em agosto, mas não chega para salvar a linha Pixel

A Google precisa de mais do que luzinhas e marketing de IA para recuperar a confiança em torno do Pixel. O 11 pode ser o início da cura, mas não é a cura.

Pixel 11 chega em agosto, mas não chega para salvar a linha Pixel

A Google já nem consegue fingir surpresa. Anunciou o Pixel 11 antes do evento Made by Google de 12 de agosto e a mensagem é clara: quer controlar a narrativa de uma linha que anda à deriva. O problema é que, olhando para o que já se sabe, o Pixel 11 parece curativo tópico numa doença crónica. Alivia um bocado, não resolve nada.

O grande truque de hardware do Pixel 11 atende pelo nome confuso de HiLight, antes chamado Pixel Glow. Na prática, é um anel de luz multicolor ao pé da câmara, uma espécie de LED de notificações vitaminado. Sim, é simpático ter um aviso visual discreto, e é óbvio que a Google tenta apanhar boleia da estética “luzinha inteligente” tipo Nothing. Mas isto não é fundamento para renovar uma geração inteira de smartphones. Principalmente quando a própria Google já mostrou no passado que sabe arriscar de forma bem mais ambiciosa, com coisas como os lados espremíveis Active Edge ou o Motion Sense por radar, ideias meio loucas mas com personalidade.

O problema de fundo é outro: a comunidade Pixel está cansada. Nos últimos meses multiplicaram-se queixas de lentidão nas animações, micro-engasgos na navegação e uma sensação de que o sistema deixou de ser aquele Android limpo e rápido que justificava aturar as esquisitices da Google. A isto somam-se bugs persistentes, desde falhas aleatórias em apps da própria Google até ao famoso problema de drenagem de bateria que teima em sobreviver a patches e updates mensais. Quando uma marca se vende como a referência Android e depois obriga o utilizador a andar em fóruns a tentar perceber porque é que a bateria se evapora, algo está seriamente desalinhado.

Em vez de enfrentar isto de frente, a aposta continua a ser a cartilha da IA. Mais processamento de fotos, mais truques de edição automática, mais assistentes contextuais. Tudo ótimo em teoria, e até alinhado com a estratégia maior da empresa, que passa por empurrar tudo para o Gemini, como já vimos quando a Google matou uma app de IA antes de nascer e enfiou a funcionalidade dentro do seu chatbot principal em vez de a tratar como produto sério. O risco é o mesmo no Pixel: transformar o telefone num veículo para a estratégia de IA da empresa, em vez de o tratar como objeto que tem de ser sólido, previsível e bem acabado.

Para quem está em Portugal, a ironia é ainda maior. Os Pixel continuam a chegar ao nosso mercado de forma tímida, via importação paralela ou loja online estrangeira, ao preço de topos de gama Android bem estabelecidos vendidos pela Worten ou FNAC, mas com fiabilidade mais próxima de um programa beta permanente. Pior, a concorrência já copiou muitos dos melhores truques de câmara e software da Google, sem copiar o historial de bugs. Se o Pixel 11 não trouxer melhorias claras em estabilidade, desempenho consistente e qualidade de construção, o HiLight vai ser pouco mais do que um lembrete luminoso de que a marca perdeu o foco.

O Pixel 11 pode marcar o início de um regresso se a Google usar esta geração para arrumar a casa: menos “wow” em keynote, mais trabalho chato de engenharia. Sem isso, a luz nova é só cosmética. E a linha Pixel continua a ser o telefone de quem gosta de viver perigosamente com o seu próprio hardware.

Fonte: Android Police

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