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X troca revenue sharing por bónus só para conteúdo original

A plataforma de Elon Musk encerra o programa que pagava a quase tudo o que gerava cliques e passa a premiar só quem cria de raiz. O filtro vai apertar e muito.

X troca revenue sharing por bónus só para conteúdo original

A X, hoje encaixada no grupo de empresas de Elon Musk através da SpaceX, volta a mexer no cheque passado a criadores. O antigo programa de Revenue Sharing é descontinuado, entra um novo esquema chamado Original Content Rewards. Na prática, a X admite que andou meses a pagar a quem vivia de reciclar o feed.

O calendário é curto. A plataforma deixa de aceitar novas adesões ao Revenue Sharing e os criadores já aceites só recebem até 7 de setembro. A 8 de setembro abre a candidatura ao novo programa, com critérios que soam familiares, mas com uma palavra sublinhada a marcador fluorescente: originalidade.

Para entrar no Original Content Rewards continua a ser obrigatório pagar um dos níveis Premium da X, ter pelo menos 500 seguidores verificados e somar 500.000 impressões na cronologia inicial vindas de utilizadores verificados em 90 dias. Isto corta logo uma boa fatia de contas pequenas, incluindo muitas em português. O alvo são perfis com alcance consistente e, sobretudo, com output próprio que faça a roleta de anúncios girar mais depressa.

O que é afinal “conteúdo original” para a X. A empresa fala em reportagens e análise feitas pelo autor, fotos e vídeos captados por quem publica, memes e gráficos desenhados de raiz. Comentário também pode contar, mas só se acrescentar “valor original significativo” quando usa material de terceiros. Ficam explicitamente excluídos os posts copiados de outras contas, vídeos descarregados do X para voltar a subir, ou republicações quase literais sem transformação relevante. Se passaste o último ano a fazer carreira com compilações de TikTok ou threads traduzidas de contas estrangeiras, a mensagem é simples: acabou a festa.

Este reset não nasce do nada. A própria X já tinha tentado em abril reduzir pagamentos a contas de agregação e a formatos assumidamente “clickbait”, com direito a recuo parcial de Musk depois da choradeira de alguns perfis grandes. Agora, Allegra Jacchia, responsável da X, diz preto no branco que o programa anterior “tinha chegado a um ponto em que os incentivos estavam desalinhados”. Tradução livre: a plataforma estava a pagar demasiado a quem jogava com o algoritmo e pouco a quem realmente produzia algo novo.

Para criadores em português, isto é faca de dois gumes. De um lado, a possibilidade de um modelo que valorize reportagem local, análise de nicho e formatos visuais originais, em vez da maré de vídeos reciclados de outros sítios. Do outro, uma barreira de entrada alta, dependente de subscrição Premium e de um círculo de utilizadores verificados que em países como Portugal é muito mais estreito do que no mercado norte-americano. A X promete “refinar o programa” e subir a fasquia com o tempo. A questão é se, ao apertar o funil, consegue mesmo mudar a qualidade do que vemos no feed, ou se só troca um conjunto de jogadores de sistema por outro. O resto dos detalhes do novo esquema já os destrinchámos no nosso guia rápido ao fim do antigo revenue sharing na X.

Fonte: TechCrunch

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