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Fãs da OnePlus sentem-se traídos com a saída dos EUA e da Europa

Dois terços dos votantes já viam o fim ao longe, mas muitos fãs fiéis encaram a retirada da OnePlus dos mercados ocidentais como uma facada nas costas.

Fãs da OnePlus sentem-se traídos com a saída dos EUA e da Europa

A partir de agosto, há menos um fabricante Android a sério a jogar em casa no Ocidente. A OnePlus confirmou que está a sair dos mercados norte-americano e europeu, com a OPPO a assumir mais protagonismo pelo menos num deles. Os rumores corriam desde janeiro, a marca negou, e agora fecha a porta sem grande elegância. O resultado é previsível: frustração e um sentimento de abandono entre quem andou anos a defender a bandeira vermelha nos fóruns e nos grupos de Telegram.

Numa sondagem do Android Authority com mais de 8.000 votos, quase dois terços dos participantes já não acreditavam num futuro da OnePlus nos EUA e na Europa. Cerca de 27,8% disseram não estar “nada surpreendidos” e 37% admitiram que “sabiam que algo ia mal”, mas achavam que a marca ainda ia “aguentar-se mais tempo”. Em suma, muita gente já tinha percebido que a estratégia global da BBK (o grupo dono de OnePlus, OPPO, etc.) não batia certo com a ambição ocidental que a OnePlus vendia no marketing.

Mesmo assim, antecipar uma queda não é o mesmo que aceitá-la. Um leitor resume bem o choque emocional: foi embaixador da marca, recomendou telemóveis OnePlus a amigos, tem um OnePlus Open topo de gama, e agora diz-se “traído”. Esta palavra surge várias vezes nos comentários. O argumento é simples: a OnePlus construiu a sua imagem a posicionar-se contra “as marcas do costume” e a cortejar utilizadores mais atentos a specs, ROMs e updates. Quando esse público mais fiel é deixado para trás, o discurso Never Settle passa a soar mais a punchline do que a promessa.

Outros apontam o dedo diretamente à gestão. Houve quem dissesse que os telemóveis eram bons, mas que a direção “estragou tudo” e deixou de fazer aquilo que tornava a OnePlus interessante no início: preço agressivo, software limpo, comunidade ouvida. O paralelo com a T-Mobile nos EUA não é inocente, é a crítica clássica à empresa que entra a abanar o mercado e, quando ganha escala, se acomoda. Para muitos, a OnePlus morreu quando se fundiu na prática com a OPPO, e a saída dos mercados ocidentais é só o papel passado.

O lado mais irónico é que quase metade dos votantes diz ainda estar entusiasmada com o hipotético OnePlus 16. Outros 46% admitem que estariam, se a marca não tivesse abandonado os EUA e a Europa. É um retrato estranho: interessa o produto, mas o contexto estraga a vontade de apoiar a marca. Em Portugal, onde a presença oficial da OnePlus já era tímida, isto confirma o que escrevemos quando o OnePlus 16 foi confirmado: mais um topo de gama pensado para mercados “prioritários”, com a Europa na fila de trás, quando muito.

Resta a pergunta prática: para onde vão agora estes utilizadores? Nos comentários, o salto mais citado é para Motorola, Samsung e Google. Há quem sonhe que a OPPO ocupe o espaço, ou que a Nothing não cometa o mesmo erro. Mas a verdade é que esta saída envia um sinal claro a qualquer comprador mais atento: compromissos a longo prazo em Android valem o que valem. Hoje é a OnePlus a fechar o estaminé no Ocidente, amanhã pode ser outra OEM qualquer a decidir que a Europa dá demasiado trabalho para o retorno que traz.

Fonte: Android Authority

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