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Xbox sobe preços das consolas na Europa e morde forte em Portugal

As Xbox Series ficaram entre 150€ e 200€ mais caras na Europa. Em plena crise de memória e depois de milhares de despedimentos, a estratégia da Microsoft parece cada vez menos sobre vender hardware.

Xbox sobe preços das consolas na Europa e morde forte em Portugal

A tabela é simples e dói à vista: na Europa, todas as consolas Xbox subiram entre 150€ e 200€. A Series S de 512GB passou de 349,99€ para 499,99€. A Series S de 1TB saltou de 399,99€ para 599,99€. A Series X digital subiu de 549,99€ para 749,99€. E a Series X com leitor de discos foi de 599,99€ para 799,99€.

É um aumento de cerca de 43 a quase 50 por cento em alguns modelos. Numa geração já madura e com promoções frequentes da concorrência, a Microsoft está a reposicionar a Xbox quase como produto de luxo. Oficialmente, o argumento é a crise de memória e o custo dos componentes. Na prática, quem entra hoje numa Worten ou FNAC e olha para a prateleira vê uma Series X ao preço ou acima de muitas configurações de PC de entrada e perigosamente perto de alguns bundles da PlayStation 5 quando apanhados em promoção.

E isto chega depois de meses difíceis no lado verde. A própria Microsoft revelou uma quebra de 10 por cento nas receitas de conteúdos e serviços no último trimestre fiscal, e a divisão Xbox levou com cerca de 3.200 despedimentos, incluindo equipas históricas como Bethesda e Id Software. Ao mesmo tempo, a marca insiste numa estratégia que afasta o centro de gravidade da consola física. A aposta em cloud e apps de TV, como se viu quando a Xbox começou a chegar a televisores Hisense sem precisar de consola, faz cada vez mais sentido à luz destes preços.

Para quem joga em Portugal, a mensagem é clara: comprar uma Xbox nova vai doer. Mesmo admitindo que as cadeias nacionais cortem alguns euros face ao preço recomendado, a fasquia dos 800€ para a Series X com leitor físico coloca a consola num patamar pouco apetecível para uma família que faz contas ao cêntimo. Pior, a Series S deixa de ser aquela opção “barata para o Game Pass” e entra numa zona cinzenta em que um PC de secretária modesto começa a ser alternativa credível, sobretudo para quem também precisa de máquina para estudar ou trabalhar.

O contexto europeu não ajuda. Inflação recente, salários que não acompanham e um mercado onde a concorrência directa não fez um aumento comparável nesta fase. A Microsoft corre o risco de transformar a Xbox na consola que só se compra em saldo agressivo na Black Friday ou em campanhas de retoma, em vez de ser escolha óbvia no corredor dos jogos. Quem já está dentro do ecossistema pode ficar, até porque sair implica abandonar biblioteca digital. Quem está a decidir entre plataformas olha para estes números e percebe que a Microsoft parece menos interessada em ganhar quota de consolas e mais em empurrar jogadores para subscrições e cloud, onde o hardware é só um detalhe caro.

Depois de um apagão global de licenças que a própria empresa teve de explicar e prometer reforçar no sistema de DRM da Xbox, a confiança na plataforma já não era brilhante. Somar a isso aumentos de até 200€ faz lembrar uma velha lição da indústria: quando cortas em estúdios, sobes preços e apertas controlo digital ao mesmo tempo, não estás a construir uma base de fãs, estás a testar a paciência dela.

Fonte: Eurogamer

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