Gemini Spark passa a controlar o Chrome e chega a mais países
O agente pessoal da Google já usa o teu Chrome de secretária com sessão iniciada para tratar de tarefas chatas. E a subscrição AI Pro começa a abrir-se ao resto do mundo.
O agente pessoal da Google já usa o teu Chrome de secretária com sessão iniciada para tratar de tarefas chatas. E a subscrição AI Pro começa a abrir-se ao resto do mundo.
A Google está a dar mais rédea solta ao Gemini Spark. O agente pessoal ganha agora acesso directo ao Chrome de secretária para navegar com a tua conta e palavras-passe, e a subscrição paga Google AI Pro passa a estar disponível em mais de 160 países. O empurrão é claro: pôr a IA a mexer-se na web em teu nome, não só a responder dentro de uma caixa de texto bonita.
Até aqui, o Spark usava um browser remoto da Google. Agora entra no teu Chrome local, com tudo o que isso implica: sessões iniciadas, cookies, favoritos, formulários já preenchidos. A integração recorre ao modo auto browse de Gemini no Chrome, lançado no início do ano, e aparece com um indicador próprio na barra superior do navegador assim que dás permissão. Em troca, o agente consegue fazer aquilo que a Google chama de “tarefas aborrecidas na web”, como marcar visitas para apartamentos que tens guardados ou comparar voos e iniciar um processo de reserva.
Do lado da segurança, há dois travões declarados: pagamentos e acções sensíveis continuam a exigir aprovação explícita, e o Chrome mantém protecções contra prompt injection, aquelas tentativas de um site manipular as instruções dadas à IA. É uma camada de defesa necessária, mas está longe de resolver o problema base: um agente com acesso amplo ao browser é ouro para quem conseguir contornar esses limites. Em contexto europeu, com RGPD em cima da mesa, o interessante será perceber que dados exactos são enviados para a Google sempre que o Spark “pega” no teu Chrome.
Para já, esta integração com o Chrome de secretária está a chegar primeiro aos EUA. A Google fala em mais regiões no futuro, sem calendário. Nada de novo numa empresa que gosta de testar em casa e arrastar o resto do mapa, como já vimos noutras frentes em que a UE teve de intervir, da privacidade em Android à concorrência nas pesquisas. Quem usa Chrome em Portugal vai ter de esperar pela activação da função e, eventualmente, pelo alinhamento com as regras europeias.
Em paralelo, o Gemini Spark chega finalmente a quem paga o pacote Google AI Pro em mais de 160 novos países. A expansão segue-se a um lançamento completo nos EUA e encaixa numa cadência rápida de novidades: integrações via MCP (Model Context Protocol) com apps externas, aplicação para macOS com controlo local do computador, ligação a ferramentas como Workspace, Pesquisa, Personal Intelligence, execução de código remoto e Canvas. Em teoria, isto aproxima o Spark de um assistente que cuida do dia-a-dia digital por ti. Na prática, ainda estamos num misto de demonstração vistosa e utilidade real, com muito potencial mas também fricção e limites pouco claros.
O movimento confirma a estratégia da Google: empurrar a IA generativa para dentro dos serviços existentes, sobretudo Chrome e Workspace, e cobrar mais caro a quem quiser o “agente completo”. Para o utilizador europeu, a pergunta não é se o Gemini Spark vai chegar, é em que moldes vai ser encaixado nas regras da UE e quanto controlo real terá sobre dados pessoais e navegação. O entusiasmo da Google por automação não apaga um detalhe: entregar o volante do browser à mesma empresa que domina a pesquisa e a publicidade online tem um custo que não vem descrito na tabela de preços.
Fonte: 9 to 5 Google
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