Sateliot quer 150 milhões para ligar 5G directo aos smartphones
A espanhola Sateliot quer ser o Starlink europeu do 5G directo ao telemóvel. Precisa de 150 milhões e de um empurrão de Bruxelas antes que os americanos fechem o espaço rádio.
A espanhola Sateliot quer ser o Starlink europeu do 5G directo ao telemóvel. Precisa de 150 milhões e de um empurrão de Bruxelas antes que os americanos fechem o espaço rádio.
Uma startup espanhola quer fazer aquilo que as operadoras europeias andam a adiar há anos: meter 5G por satélite directamente nos telemóveis que já tens no bolso. Chama-se Sateliot, nasceu em Barcelona e está a tentar levantar até 150 milhões de euros para isso.
O plano é agressivo no papel. A Sateliot já tem uma constelação em órbita baixa para Internet das Coisas e quer lançar mais 16 satélites no próximo ano. Depois, em 2028, entram em cena satélites maiores, preparados para disparar dados, voz e vídeo em 5G directo para smartphones comuns, sem telemóveis “via satélite” dedicados nem antenas exóticas. O salto não é apenas técnico. É também de ambição: a empresa foi criada para ligar sensores em contentores, contadores e campos agrícolas. Agora quer falar com pessoas.
A Sateliot está a desenvolver a tecnologia de ligação directa ao dispositivo com a Telefónica, o que mostra bem onde está o jogo: não é substituir as operadoras móveis, é encaixar-se nelas. Para Portugal, o modelo óbvio seria um acordo com NOS, MEO ou Vodafone que permitisse cobertura de satélite transparente quando sais do mapa de antenas terrestres. Do ponto de vista de quem anda por serras, mar ou estradas nacionais mais esquecidas, isto interessa mais do que mais um tarifário “ilimitado” em zonas já saturadas.
O contexto político também ajuda. A Europa acordou tarde para o efeito-Starlink e agora está a despejar 22 mil milhões de euros através da Agência Espacial Europeia. A Comissão Europeia quer reservar espectro adequado a comunicações directas satélite-telefone para actores europeus, em vez de entregar o filão a Elon Musk ou à Amazon. Há outros jogadores, como o projecto conjunto Vodafone–AST SpaceMobile, mas a presença de uma empresa americana com 50% da estrutura pode complicar a elegibilidade para esse espectro reservado.
Neste filme, a Sateliot tenta posicionar-se como solução “made in UE” focada no telemóvel e alinhada com as operadoras existentes. Conta com até 50% de co-financiamento público e ainda procura um investidor âncora, com a hipótese de mais 50 milhões serem dívida. O buraco no mercado é claro: o IRIS², a grande constelação europeia liderada por Eutelsat, SES e Hispasat, arranca virado para banda larga clássica, não para ligação directa a dispositivos. Enquanto isso, a Starlink continua a crescer e a subir preços, sem grande concorrência real no nosso continente.
Se a Sateliot cumprir o calendário, 2028 pode ser o ano em que um telemóvel 5G comprado na FNAC passa a apanhar satélites europeus sem tu dares por isso. Falta saber se os reguladores não se perdem em burocracia e se as operadoras aceitam partilhar o cliente com o espaço. A tecnologia está a acelerar, o dinheiro público também. O risco é simples: ou a Europa abre de vez o céu às suas próprias redes, ou acaba a pagar roaming orbital aos EUA.
Fonte: The Next Web
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