CIêNCIA

Casa Branca põe Avi Loeb a chefiar novo conselho de OVNIs

Astrofísico de Harvard que vê tecnologia alienígena em quase tudo vai liderar o novo UAP Science Advisory Council. A escolha diz muito sobre a política dos OVNIs em 2026.

Casa Branca põe Avi Loeb a chefiar novo conselho de OVNIs

A Casa Branca escolheu Avi Loeb, o astrofísico de Harvard que passou a última década a insinuar tecnologia alienígena em metade do cosmos, para liderar o UAP Science Advisory Council, o novo conselho científico para fenómenos aéreos não identificados. O grupo foi criado pela própria Casa Branca, Pentágono, Direção Nacional de Informações norte‑americana, FBI e restante comunidade de informações. Em teoria, é a camada “séria” num assunto que anda entre o segredo militar e o circo mediático.

O conselho de Loeb vai produzir relatórios e aconselhar a UAP Governing Board, o órgão político que coordena a resposta oficial aos chamados UAP, os fenómenos anómalos não identificados, a versão 2020s de OVNI. À volta da mesa não estarão só físicos. Há um patologista, um cientista de computação, um filósofo, um psicólogo e até o editor fundador da revista Skeptic. A composição parece desenhada para dizer: isto é ciência, não é o canal História às duas da manhã.

O problema é o nome na porta. Loeb ganhou notoriedade pública ao defender que Oumuamua, o primeiro objecto interestelar detectado no Sistema Solar, podia não ser um exo‑cometa mas sim uma espécie de sonda alienígena. Mais recentemente, reclamou que pequenas esferas metálicas recolhidas no Pacífico seriam detritos de uma nave extraterrestre. Estas teses deram‑lhe tempo de antena em talk shows e documentários, mas também uma colecção respeitável de rótulos pouco simpáticos entre colegas: de “fraude” a “charlatão”, passando por “vigarista científico”.

Convém dizer que Loeb não é um qualquer youtuber de chapéu de alumínio. Tem currículo pesado em astrofísica e um passado académico sólido. É precisamente isso que torna a escolha mais delicada. O governo norte‑americano decide criar um órgão formal para estudar UAP com método científico, depois de anos de vídeos do Pentágono e libertação faseada de relatórios, como na última fornada de ficheiros sobre OVNIs, e põe à frente alguém que alimenta, com gosto, a narrativa de que os aliens já cá andam.

Para quem acompanha o tema a partir de Portugal, a questão não é só se Loeb tem razão sobre Oumuamua ou sobre esférulas metálicas. É o sinal político. Ao escolher uma figura tão polarizadora, Washington corre o risco de dar munição tanto a conspiracionistas como a quem quer descredibilizar toda a discussão sobre UAP, metendo no mesmo saco drones, balões meteorológicos, falhas de sensores e hipóteses extraterrestres. Se o conselho for sério e publicar relatórios sólidos, a escolha do líder vai ser um ruído constante. Se descambar em declarações bombásticas, o selo “Casa Branca” cola‑se ao folclore.

Num momento em que a União Europeia discute transparência de dados, regulação de satélites em órbita baixa e vigilância aérea, ver os EUA tratarem o dossier OVNIs com esta mistura de ciência e espectáculo é revelador. O novo conselho pode ajudar a limpar décadas de mitologia ou pode ser só mais um capítulo na novela dos OVNIs oficialmente oficiosos. A presença de Loeb garante pelo menos uma coisa: ninguém vai poder fingir que isto é apenas burocracia cinzenta.

Fonte: The Verge

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