EA corta mais empregos enquanto venda à Arábia Saudita se aproxima
É a terceira vaga de despedimentos na EA em 2026. As tesouradas alinham-se com uma compra alavancada de 55 mil milhões de dólares e com a aposta agressiva da editora em IA.
É a terceira vaga de despedimentos na EA em 2026. As tesouradas alinham-se com uma compra alavancada de 55 mil milhões de dólares e com a aposta agressiva da editora em IA.
A Electronic Arts voltou a despedir pessoal, pela terceira vez este ano, com várias equipas a serem atingidas em simultâneo. O timing não é neutro: tudo acontece enquanto avança a compra alavancada de 55 mil milhões de dólares (~50,5 mil milhões de euros) pelo fundo soberano da Arábia Saudita.
De acordo com a investigação da Kotaku, foram afectadas áreas como recrutamento, apoio ao cliente, trust and safety e equipas de IT dispersas globalmente. Nas redes sociais multiplicam-se mensagens de trabalhadores agora ex-EA, muitos em regime remoto dentro e fora dos Estados Unidos. O número total de despedidos não é conhecido, a EA foi contactada por vários órgãos de comunicação mas ainda não comentou.
O contexto interno ajuda a perceber a direcção. Desde 2024 que o CEO Andrew Wilson repete que a IA está “no centro do negócio” da EA, com mais de 100 projectos internos anunciados. A mesma narrativa tem sido usada por meia indústria para justificar cortes em equipas de apoio, moderação e até desenvolvimento. O padrão já é demasiado claro para ser tratado como coincidência, e casa com o que detalhámos na análise à actual vaga de despedimentos empurrada pela IA.
Em paralelo, aproxima-se o ponto final do negócio que colocará 93,4 por cento da EA nas mãos do Saudi Arabia Public Investment Fund, o fundo de riqueza estatal do regime saudita. O acordo foi anunciado em setembro de 2025 e é descrito como o maior leveraged buyout de sempre. Falta apenas a decisão da autoridade europeia da concorrência, com prazo até 23 de julho, para que a operação fique fechada nos próximos meses.
A expectativa de aprovação quase automática não cai do céu. O negócio envolve também Jared Kushner, genro do actual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que coloca pressão política adicional sobre reguladores que, na teoria, deveriam olhar apenas para quotas de mercado e riscos concorrenciais. Do outro lado, sindicatos de videojogos e organizações de direitos humanos têm contestado a operação, alertando para o uso de grandes marcas do entretenimento como ferramenta de soft power de um Estado com um historial pesado em matéria de liberdades civis.
Para quem joga em Portugal, isto não muda amanhã o FIFA de nome novo, nem cancela o próximo *Battlefield*. Mas vai definir quem manda nas prioridades da EA nos próximos dez anos: menos gente em apoio, mais automação em moderação, decisões estratégicas alinhadas com os interesses de um fundo soberano autoritário. A pergunta prática já não é se o negócio avança, é quantas pessoas que fizeram a EA até aqui ainda lá estarão quando a venda estiver concluída.
Fonte: Eurogamer
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