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Tim Cook diz que a RAM está cara demais e prepara subidas de preços

A Apple admite que já não aguenta o custo da memória e abre a porta a iPhones, iPads e Macs mais caros. O problema é global, mas o timing para quem compra na Europa é péssimo.

Tim Cook diz que a RAM está cara demais e prepara subidas de preços

Tim Cook raramente fala de preços de forma tão frontal. Desta vez, em entrevista ao Wall Street Journal, o CEO da Apple assumiu que os custos de memória RAM e armazenamento chegaram a um ponto que considera “insustentável” e que “os aumentos de preços são inevitáveis”. Traduzindo para quem compra em euros: prepara-te para iPhones, iPads e Macs mais caros nos próximos ciclos.

A Apple não detalhou datas nem modelos, mas o movimento já começou a ser desenhado. Em março, deixou de vender o Mac Studio com 512 GB de RAM e, pouco depois, aumentou o preço base do Mac Mini para $799, depois de eliminar a opção mais barata de $599. Ou seja, mesmo antes da confissão pública, a estratégia clássica de Cupertino já estava em curso: não subir o preço de tabela de um modelo, simplesmente matar a configuração acessível e empurrar o consumidor para cima.

O contexto ajuda a perceber, mas não torna a pílula mais fácil de engolir. A chamada “crise da RAM” tem origem na corrida à IA generativa. Centros de dados gigantes a pedir memória como se não houvesse amanhã, fabricantes de chips a desviar linhas de produção para quem paga melhor, e o resultado é simples: menos oferta para portáteis, consolas, telemóveis, tudo o que um utilizador normal compra. Os preços de RAM e armazenamento têm disparado, e empresas como a Apple limitam-se a passar a factura. A diferença é que, quando a margem bruta anda confortavelmente acima dos 40 por cento, a conversa de custos “insustentáveis” soa mais a gestão de expectativas do que a SOS financeiro.

Para quem está em Portugal ou no resto da Europa, há duas camadas de dor. Primeiro, a tendência de a Apple aplicar aumentos diretos em euros, nem sempre alinhados com a taxa de câmbio. Depois, o histórico recente de a marca usar o que chama “pressões de custo” para justificar subidas agressivas de preço em gerações novas. Basta lembrar que, enquanto discute com Bruxelas coisas como o encaixe das suas serviços de IA nas regras europeias, continua a testar até onde pode esticar o preço do hardware sem sofrer verdadeiro recuo na procura.

O Wall Street Journal aponta que o próximo iPhone 18 Pro pode chegar aos $1.299, um salto considerável face aos $1.099 do iPhone 17 Pro. Em euros, isto empurra facilmente o modelo Pro para muito perto, ou acima, dos 1.500€. Se a Apple repetir a fórmula usada no Mac Mini, podemos ver iPhones com mais armazenamento “de base”, mas com a eliminação sorrateira das variantes mais baratas. O mesmo raciocínio aplica-se ao MacBook Neo, onde analistas já admitem o fim da configuração de entrada, preservando apenas uma versão mais cara com 512 GB.

Há um argumento legítimo: memória custa mais, alguém tem de pagar. O problema é quando a narrativa finge que Apple e consumidores estão do mesmo lado da barricada. Não estão. A empresa tem espaço para absorver parte destes aumentos, só que prefere protegê-lo para não afinar o modelo de negócio que já está a ser apertado na Europa por causas como o DMA. A crise da RAM é real, mas também é uma boa cobertura para testar até onde o mercado aceita pagar por “Pro” e “Max” antes de começar a dizer que chega.

Fonte: The Verge

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