Meta começa a desfazer compra da Manus após veto de Pequim
China obriga Meta a desfazer a aquisição de 2 mil milhões de dólares da startup Manus. Sinal claro de que Pequim não vai abrir mão da IA estratégica, mesmo via capitais ocidentais.
China obriga Meta a desfazer a aquisição de 2 mil milhões de dólares da startup Manus. Sinal claro de que Pequim não vai abrir mão da IA estratégica, mesmo via capitais ocidentais.
A Meta já começou a desatar o nó da compra da Manus. O negócio de 2 mil milhões de dólares (~1.840 milhões de euros) está a ser desmontado peça a peça depois de Pequim ter ordenado a alienação por motivos de segurança nacional. Primeiro passo concreto: separação operacional e corte no partilha de dados entre as duas empresas, segundo a Bloomberg.
Na prática, a Manus foi desligada dos sistemas internos da Meta. Funcionários deixaram de poder usar as ferramentas da startup em projectos internos, sinal de que Menlo Park está a tratar o caso como dano controlado e não como uma batalha política a travar até ao fim. Não é todos os dias que um governo estrangeiro diz a uma big tech americana o que pode ou não manter no portefólio, e a empresa obedece.
Do lado da Manus, os fundadores já andam a desenhar o plano de fuga. Fala-se numa ronda de financiamento de cerca de 1.000 milhões de dólares para recomprar a empresa à Meta e reconfigurar tudo numa joint-venture chinesa com olho numa futura cotação em Hong Kong. O contexto ajuda: a praça tem estado cheia de IPOs de IA chinesa, como a MiniMax e a Zhipu, alimentados pela febre local da inteligência artificial.
O que era para ser o “caso de estudo” de uma saída bilionária para uma startup de IA fundada por chineses tornou-se um aviso. Pequim está pouco interessada em histórias inspiradoras para o Vale do Silício, quer é manter controlo apertado sobre tecnologia sensível. Nem a mudança formal da Manus para Singapura em 2025 nem a incorporação fora da China chegaram para sossegar reguladores. Origem chinesa da tecnologia e da casa-mãe Butterfly Effect bastou para acender alarmes dos dois lados do Pacífico.
Em paralelo, a China tem apertado ainda mais o cerco. Investigadores e executivos de IA em empresas privadas passaram a precisar de aprovação oficial para viajar para o estrangeiro. Grandes nomes do sector, como Moonshot AI, StepFun e ByteDance, terão de pedir luz verde do governo antes de aceitar investimento norte-americano. Isto não é só controlo político, é engenharia financeira para manter capital, talento e propriedade intelectual dentro de fronteiras. Para uma empresa europeia ou portuguesa que queira trabalhar com IA chinesa, o recado é simples: a volatilidade regulatória é parte do pacote, não um risco remoto.
Ironicamente, enquanto Meta e Pequim afinam detalhes do divórcio, a Manus continua a lançar funcionalidades, com integrações com Similarweb e Shopify a saírem do forno. O produto avança, a estrutura accionista anda para trás. Meta, por sua vez, fica com uma lição cara sobre depender de IA de origem chinesa em pleno clima de confronto geopolítico. E quem ainda acreditava que a IA seria um campo “global por natureza” está a ver, em tempo real, como cada modelo de linguagem se transforma em activo estratégico nacional.
Fonte: TechCrunch
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