Setembro virou oficialmente mês Pro Max. Depois de Apple, vivo e OPPO terem puxado dos músculos, a Xiaomi respondeu na China com os novos Xiaomi 18 Pro e 18 Pro Max. Dois flagships Android com câmaras de 200MP em duplicado, processadores Snapdragon de última geração, um ecrã traseiro útil em vez de decorativo e um ecrã frontal com modo de privacidade feito em hardware.
Comecemos pelas câmaras, onde a Xiaomi decidiu entrar no campeonato dos exageros com algum critério. Segundo o Android Authority, ambos os modelos usam o mesmo conjunto triplo assinado pela Leica: sensor principal de 200MP, 1/1,28 polegadas, abertura f/1.67 com LOFIC e estabilização ótica, um ultragrande angular de 50MP com campo de visão de 102 graus e, outra vez, 200MP num periscópio telefoto de 1/1,56 polegadas. Este telefoto traz zoom ótico 3,2x, comprimento focal nativo de 75 mm, estabilização ótica, o que a marca chama de 12,8x “lossless” e foco a partir dos 12 cm graças a um sistema de foco flutuante em dois grupos.
A Xiaomi garante que o telefoto do 18 Pro Max capta mais 83% de luz do que o do modelo anterior, o que, em teoria, favorece retratos e zoom em pouca luz. Há ainda um novo modelo de imagem chamado Legendary Moment, um motor de processamento treinado em larga escala que tenta aproximar o resultado de uma câmara dedicada, com profundidade de campo mais natural e desfoque de fundo com ar ótico em vez de filtro agressivo. O ecrã traseiro funciona como viewfinder para selfies com as câmaras principais, embora os dois modelos tragam também uma câmara frontal de 50MP, para quem não quiser brincar ao fotógrafo amador à frente do espelho.
No lado do desempenho, o Xiaomi 18 Pro recebe o Snapdragon 8 Elite Gen 6, enquanto o 18 Pro Max sobe ao Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6. São nomes longos para dizer que estamos a falar do topo de gama Qualcomm para 2026, com foco declarado em IA, mas o detalhe fino do chip fica explicado nas contas do próprio Android Authority sobre o Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6. A acompanhar, um ecrã traseiro OLED de 2,86 polegadas, 120 Hz, que agora mostra cartões de apps gerados por IA em vez de ser apenas um painel para notificações e relógios bonitos. Há ainda um botão físico de IA personalizável, ultra-wideband (UWB), leitor de impressões digitais ultrassónico sob o ecrã e certificações IP66, IP68 e IP69, num pacote claramente pensado para aguentar abusos.
As baterias são outro ponto onde a Xiaomi decidiu puxar o cursor. O 18 Pro leva 7.000 mAh, o 18 Pro Max dispara para 8.500 mAh, ambos com carregamento com fio a 100 W e sem fios a 50 W. É muito acima do que a maioria dos concorrentes oferece em 2026, embora o próprio Android Authority lembre que estes números deverão encolher nas versões globais, se e quando chegarem. Do lado dos ecrãs principais, o 18 Pro fica nas 6,4 polegadas com resolução 2.436 x 1.120, o Pro Max estica para 6,9 polegadas a 2.624 x 1.208. Em comum, painéis LTPO Super Pixel 2.0 RGB OLED a 120 Hz, brilho máximo anunciado de 4.000 nits, atenuação PWM a 2.160 Hz, vidro Dragon Crystal Glass 3.0 e o tal ecrã de privacidade em hardware que já detalhámos quando a marca o mostrou pela primeira vez no Xiaomi 18 Pro.
Os topos de gama também ganham uma edição “Satellite” com traseira transparente, a recuperar o truque de design que a Xiaomi tinha encostado à prateleira desde o Mi 10 Ultra Transparent Edition em 2020. É o tipo de versão que serve mais para marketing do que para volume de vendas, mas ajuda a posicionar a série 18 como vitrina tecnológica da marca, num ano em que a concorrência tem sido particularmente agressiva em fotografia e bateria. Nas especificações puras, estes Xiaomi ficam muito perto do limite do razoável. O que falta saber, e que nenhum quadro de specs resolve, é se o software e a gestão térmica acompanham a ambição do papel.
Em termos de preço, o Xiaomi 18 Pro arranca nos 5.999 yuan (cerca de 895$, ~825€) para a versão de 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Há ainda variantes até 1 TB, incluindo uma edição transparente deste modelo que chega aos 9.999 yuan (~1.492$, cerca de 1.370€). O 18 Pro Max começa nos 6.999 yuan (~1.045$, algo como 960€) na base de 12 GB + 256 GB. Por agora, tudo isto fica limitado ao mercado chinês, sem data ou preço europeu anunciados. Se a Xiaomi trouxer os 18 Pro para cá sem desfigurar demasiado as baterias e os preços, os outros Android de topo vão ter de justificar bem cada euro extra.
Fonte: Android Authority
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