Entre Galaxy Watch 7, 8, 9 e duas gerações Ultra, houve quem simplesmente ficasse quieto. Quem escreve no Android Police comprou um Galaxy Watch 6 em 2023, assumindo que o trocaria ao fim de um ou dois anos, como fazia com o Apple Watch e com os telemóveis. Não trocou. Sem plano, sem manifesto anti-consumo, apenas porque nunca sentiu vontade suficiente para abrir a carteira.
Nesse intervalo, passaram-lhe cinco modelos pela frente, cada um com evento, vídeos polidos e reviews a dizer que valia a pena considerar o upgrade. Nas contas do Android Police, a campanha inteira falhou onde importa: em dar uma razão concreta para abandonar o Watch 6. O relógio continuou a fazer o que tinha de fazer, sem dramas. Notificações, treinos, chamadas, registo de saúde, tudo fluido. Nada de engasgos, nada de ecrã cansado. E é aqui que a conversa fica interessante para quem está deste lado: talvez o ritmo anual de troca de smartwatch seja menos necessidade técnica e mais hábito que a indústria cultivou.
Segundo o autor, nem foi o preço a travar o dedo. A questão era outra: o que é que eu ganho mesmo? Um processador um pouco mais rápido, sensores marginaismente melhores, qualquer coisa de novo no software. Difícil justificar quando o hardware de 2023 continua rápido, nítido e suficientemente preciso hoje. Esta sensação de retornos decrescentes não é exclusiva dos relógios. Já tínhamos visto o mesmo nos telemóveis, onde a maioria sente que trocar de dois em dois ou três em três anos é mais que suficiente.
Em paralelo, há um detalhe que raramente entra no marketing mas manda mais do que muitos gráficos: o suporte de software. O Galaxy Watch 6 continua a receber atualizações três anos depois, o que, para wearables, é quase luxo. Mais cedo ou mais tarde a Samsung vai desligar a torneira, como o histórico da marca sugere. Quando isso acontecer, o relógio deixa de ficar tecnicamente “velho” e passa a ficar politicamente velho. Não por deixar de funcionar, mas porque passa a viver num limbo sem patch de segurança nem novidades, o que empurra o utilizador para o próximo modelo.
Para quem olha para a atual geração, desde o Galaxy Watch 9 ao Ultra 2, a história do Android Police é um lembrete útil: a fasquia do upgrade devia ser muito mais alta do que a de uma notificação de pré-reserva. Especialmente quando os novos modelos chegam com preços cada vez mais ambiciosos e autonomia que continua a ser o calcanhar de Aquiles, como já se apontou na análise ao Galaxy Watch 9. Se um Watch 6 em bom estado continua rápido, com bateria aceitável e atualizado, a troca anual deixa de ser escolha informada e aproxima-se perigosamente de subscrição involuntária de hardware.
A ironia é simples: quanto melhor é o smartwatch, mais tempo aguenta sem justificar upgrade. E isso entra em choque direto com o calendário de lançamentos. A prova está no pulso de quem escreveu para o Android Police, que saltou cinco gerações sem sentir falta. A certa altura, a pergunta deixa de ser “quando sai o próximo” e passa a ser “o que é que este já não faz”. Até a resposta mudar, a estratégia mais sensata pode mesmo ser nenhuma: não fazer nada, continuar a usar, e guardar o dinheiro para o dia em que o relógio decide reformar-se sozinho. Nesse momento, sim, o upgrade volta a ser tecnologia. Até lá, é só marketing com data marcada.
Fonte: Android Police
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