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Um cabo Ethernet pode tornar o teu mesh Wi‑Fi muito mais rápido

Os sistemas mesh resolvem as zonas mortas, mas perdem imenso débito entre unidades. Ligar os routers por cabo devolve a velocidade que andas a pagar ao operador.

Um cabo Ethernet pode tornar o teu mesh Wi‑Fi muito mais rápido
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Os kits mesh Wi‑Fi acabaram com grande parte das zonas mortas em casa, mas há um detalhe que continua a ficar escondido na caixa: a ligação entre os próprios routers. Enquanto tudo falar por rádio, ficas longe da velocidade que o teu serviço de internet permite. A solução é aborrecidamente simples, barata e pouco glamorosa: um cabo Ethernet.

Qualquer sistema mesh precisa de uma ligação de backhaul, o canal que faz o tráfego entre as unidades em vez de ir direto aos teus dispositivos. Por defeito isso é feito por Wi‑Fi, sem mexeres em nada. O problema é que as mesmas regras da rede sem fios normal continuam a aplicar-se: quanto maior a distância e mais paredes pelo meio, mais o sinal cai e o débito desce com ele. Essa perda pode chegar a centenas de megabits entre routers, e todo o equipamento ligado a um nó fica automaticamente limitado a essa largura de banda reduzida.

Há outro erro de base que ainda se vê demasiado: kits mesh dual‑band que usam as mesmas bandas para ligar routers entre si e para falar com telemóveis, portáteis e consolas. Resultado, toda a gente partilha o mesmo canal e toda a gente perde. É por isto que escolher um sistema pelo preço e pelo design é receita certa para desilusão. Uma rede mesh decente começa em tri‑band, com uma banda dedicada ao backhaul, e alguns modelos vão mesmo mais longe com quatro bandas.

Quando ligas as unidades mesh com um cabo Ethernet, arrancas estes dois problemas pela raiz. Deixa de interessar se o kit é dual‑band ou tri‑band, porque a conversa entre routers passa a ser em cobre e não pelo ar. Nas distâncias típicas de um apartamento ou moradia, um cabo Cat 6 dá‑te perto de 1 Gbps reais ou mais, sem o sobe e desce de sinal do Wi‑Fi. Os teus equipamentos sem fios continuam a não ver toda essa largura de banda teórica, mas pelo menos já não estão a ser travados antes sequer de chegarem ao router.

O grande obstáculo, claro, é fazer o cabo chegar onde é preciso. Mesmo num T2 podes precisar de algumas dezenas de metros, e ninguém gosta de ver fios laranja a serpentear pelo chão. Esconder Ethernet por rodapés, calhas ou paredes é obra a sério, por isso convém ser honesto: se a tua Wi‑Fi já é suficientemente rápida para o que fazes, um backhaul por cabo pode não compensar o esforço. Se a ideia te agrada mas o drama das obras não, vale a pena olhar para soluções intermédias como adaptadores powerline ou MoCA, de que falámos em detalhe no guia sobre levar Ethernet a quase todas as divisões sem partir nada.

Há ainda as contas de compatibilidade. Cada router do sistema tem de ter pelo menos uma porta Ethernet livre, e em muitos modelos essas portas já estão a ser cobiçadas por um desktop, uma box de TV, uma consola ou um hub de casa inteligente. Um switch de rede resolve logo isso, mas acrescenta mais hardware e mais euros ao orçamento. E não basta ter portas, é preciso que sejam rápidas: 100 Mbps hoje é insuficiente, e até 1 Gbps começa a saber a pouco em casas com ligações multi‑gigabit e sistemas Wi‑Fi 7 pensados para debitar acima desse valor.

O ideal é tirares partido de portas de 2,5 Gbps ou 10 Gbps sempre que o router as oferecer, mas aí entras no domínio dos equipamentos mais caros e nem todos os kits mesh acompanham. Na prática, muita gente vai ficar presa ao gigabit simples, o que continua a ser um salto brutal face ao que se perde em backhaul sem fios. Em redes domésticas, um cabo bem colocado ainda vale mais do que qualquer promessa de marketing Wi‑Fi, e é isso que muitos fabricantes preferem não gritar na caixa.

Fonte: Engadget

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